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A lição que eu aprendi com o Bitcoin em 2018

A alta do Bitcoin tem chamado a atenção ultimamente. Ele subiu 44% desde o início do ano até o momento que escrevo esse texto. Sim, oito dias.

É um crescimento assustador e que muito investidor de renda varíavel não está acostumado a ver. Ações boas costumam ter essa rentabilidade ao longo de anos.

O Bitcoin fez isso em uma semana.

Eu sou um entusiasta de Bitcoin desde 2016. Comecei a investir em 2017 quando a moeda valia R$2.800 (no momento que escrevo esse texto, ele está valendo R$220.000).

Mas nem tudo são flores. De 2017 para cá o Bitcoin subiu muito, mas também teve quedas repentinas que afujentou os investidores de primeira viagem.

Decidi escrever esse texto para trazer uma lição importantíssima que o Bitcoin me ensinou de uma forma dura em 2018.

Antes de entrar nesse mérito, queria só explicar porque a gente tem vontade de comprar quando o ativo está foguetando (ou seja, ficando mais caro), e nunca queremos comprar quando está caindo (ou seja, ficando mais barato).

A fórmula de ficar rico é comprar barato e vender caro. Na prática, o nosso cérebro cria algumas armadilhas.

Por que é fácil comprar quando está subindo

Quando você olha para um ativo que está subindo 5% por dia de forma sustentada, começa a pensar “será que eu deveria comprar?”. Sempre bate aquela dúvida: “Será que vai continuar subindo?”.

Ai seus amigos começam a investir e ter ganhos grandes.

Na psicologia existe um fenômeno chamado FOMO. Fear Of Missing Out ou no bom português Medo de ficar de fora.

Ele é um driver importante do comportamento humano.

Nesse momento que seus amigos estão fazendo dinheiro e você já está namorando o ativo há dias pensando “será que é uma subida sustentada?” e tudo indica que é, é comum investir.

Isso é, inclusive, um dos motivos para o efeito manada acontecer tão frequentemente. Mais gente entra, o que faz o preço subir e faz mais gente entrar e por aí vai.

Por que é difícil comprar quando está caindo

O cérebro humano funciona de forma a acreditar que as coisas que aconteceram vão continuar acontecendo. É por isso que investidores experientes tentam passar essa lição para os novatos sob a frase de “Rendimentos passados não configuram rentabilidades futuras”.

Acontece que é difícil lutar contra esse instinto humano (embora seja importantíssimo saber disso e tentar tomar medidas racionais sempre).

Esse viés faz com que seja muito fácil comprar quando algo está subindo: você costuma achar que a tendência é continuar subindo.

A recíproca é verdadeira. Esse víes torna bastante difícil de comprar quando os ativos estão caindo: você costuma achar que ele vai continuar caindo, e por isso não faria sentido investir. Mesmo que o ativo esteja barato, quem vai investir se acha que ele continuará caindo?

Com isso, o nosso cérebro basicamente faz com que a gente tenda a comprar na alta e vender na baixa, o que é horrível do ponto de vista financeiro.

Por isso gurus tem frases famosas a respeito do tema, como Warren Buffett que diz que devemos “Comprar ao som de canhões e vender ao som de violinos”, ou seja, comprar quando tudo indica que a situação está tensa e vender quando está todo mundo comemorando e a situação parece estar sob controle.

Sabendo desses dois fenômenos, vamos à lição que eu aprendi com o Bitcoin em 2018.

O que o Bitcoin me ensinou

Porque investi em Bitcoin em 2017

Antes de começar o Real Valor, eu me demiti do emprego numa empresa de consultoria brasileira. Tinha juntado um dinheiro ao longo do tempo e tido bons resultados com investimentos, principalmente no tesouro em 2015 e na bolsa no mesmo ano.

Com esse dinheiro, acertei com meu sócio que dedicaríamos nosso patrimônio para o crescimento da empresa, ou seja, não fazia mais sentido ficar investindo em ativos muito arriscados no mercado financeiro, porque era provável que esse dinheiro seria necessário para a empresa em algum momento.

Na época, eu tinha juntado R$100.000. Imagina se eu investisse isso em ações e por alguma instabilidade no mercado, o investimento caísse 20% e eu tivesse que colocar o dinheiro na empresa?

Eu teria perdido 20% do poder de investimento na minha empresa.

Por isso, no momento que me demiti, me desfiz das minhas posições de renda variável e coloquei quase tudo em renda fixa.

A lógica era simples: naquele momento da vida, fazia mais sentido segurança do que rentabilidade.

Mas eu sempre fui um fã de Taleb e sua estratégia Barbell de investimento, onde ele coloca grande parte em ativos de baixíssimo risco, como títulos públicos e uma outra parte em ativos de extremo risco, como opções.

Na época, eu andava lendo bastante sobre criptografia e criptomoedas e o Bitcoin me parecia uma aposta dessas que tinha um upside grande e valia a pena colocar um pequeno pedaço do patrimônio.

Assim, comprei 1 Bitcoin, que na época valia uns R$2.800 com o intuito de surfar a valorização caso acontecesse.

Se você acompanhou o Bitcoin em 2017 e 2018, sabe o que aconteceu.

Em um ano, a moeda saiu de R$ 2.800 e chegou a patamares de R$70.000. Sim, isso significa 2.500% em um ano.

Como eu era um grande entusiasta da moeda, minha estratégia manter o ativo, mesmo sabendo que ele poderia despencar em algum momento porque acreditava que no longo prazo era um ativo que fazia sentido e tinha muito potencial.

O erro está aí.

O grande erro: Gestão de Risco

Lembra que eu tinha R$100.000 e investi grande parte em renda fixa, deixando 3% em cripto? Agora os R$2.800 viraram R$70.000.

alta do bitcoin em 2017
Bitcoin em 2017 (em R$)

O que era 3% passou a ser da ordem de 40% da minha carteira.

Eu acreditava que o Bitcoin ia continuar subindo. Isso tem a ver com o fato de ser um grande entusiasta, mas também pelo viés de achar que o futuro vai continuar como o passado.

A ganância cega o homem.

É por isso que tanta gente cai em golpes e pirâmides. O ser humano gosta de sonhar com a ideia de enriquecimento.

E comigo não foi diferente. Ficava pensando “E se isso chegar a milhões? Vou conseguir virar milionário numa tacada”.

O problema era que lá atras, eu tinha aceitado correr um risco de 3% em cripto.

Eu NÃO tinha aceitado correr um risco de 40%. Se tivesse, teria investido 40% e não 3%.

Naquele momento, a minha carteira estava claramente desbalanceada em relação a risco.

Eu topava correr 3% de risco em cripto e estava correndo 40%.

Claro que isso seria uma história épica se eu tivesse mantido a posição e o Bitcoin tivesse chegado a milhões, mas do ponto de vista de tomada de decisão, seria uma decisão errada.

O resultado da alocação maior do que o risco permitia

É como atravessar uma rua de olho fechado. Você pode até chegar do outro lado sem um arranhão, mas isso não significa que você tomou a melhor decisão.

O que aconteceu não foi exatamente inesperado.

Depois de atingir patamares de R$ 70.000, o Bitcoin derreteu, chegando a valer por volta de R$12.000.

Queda do Bitcoin em 2018
Bitcoin da alta de 2017 para o vale de 2018 (em R$)

Se você olha o período completo, ainda significava uma rentabilidade de 430%, o que é muito bom em 2 anos.

Mas olhando para patrimônio, o que tinha chegado a ser R$170.000 tinha regredido para R$112.000

Eu mantive o investimento tomado principalmente pela ganância, me fazendo passar por cima do risco que eu aceitei correr (3%) e chegando a 40%.

Quando olha-se para o gráfico da minha carteira, a queda que ela teve com esse crash do Bitcoin foi maior do que a queda com a pandemia em março/abril de 2020.

Investir em Bitcoin pode trazer grandes retornos, mas temos que tomar o mesmo cuidado de sempre: não investir mais dinheiro do que estamos dispostos a arriscar.

Com Bitcoin, com as subidas repentinas, tem uma nuance: você pode até investir um percentual baixo, mas com os ganhos acentuados, esse percentual pode passar do limite da sua tolerância a risco facilmente.

Invariavelmente haverá quedas repentinas de valor. Se você está alocado numa porporção que aceita perder, você passa por esse periodo sem problemas.

Se você estiver numa alocação maior, essa queda abrupta vai te machucar e traumatizar.

Escrevi esse texto com o intuito de trazer essa noção de gestão de risco quando as coisas estão indo muito bem. Não é, jamais, um texto falando mal do Bitcoin ou algo do tipo. Continuo sendo um grande entusiasta e tendo dinheiro investido em Bitcoin e outras criptos.

É melhor aprender essa lição lendo esse texto do que como eu, perdendo R$ 58.000.

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