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Almoço e o mercado financeiro: Entenda essa correlação

Essa semana fui almoçar com o Gabriel e o Edu, e o Edu pediu uma Coca-Cola. 

Quando ele acabou de comer ainda tinha um pouco de refrigerante no copo. O Gabriel olhou e perguntou: ainda tem coca no copo, não vai terminar não? 

Nesse momento, a resposta poderia ter sido simplesmente: não, estou satisfeito, mas a conversa foi para outro nível que passa pelo mercado financeiro e um viés comportamental que pode atrapalhar muito quando pensamos em tomada de decisão.

Veja, quando você vai para um restaurante pede um refrigerante ou um prato de comida, o que você está comprando na verdade é a opção de beber ou comer o que foi pedido.

Comprar Coca-Cola e operar opções: o que uma coisa tem a ver com outra?

Almoço e sua relação com opções

Não é porque você comprou que tem que comer até ver o fundo do prato ou beber até o último gole. Às vezes você já está mais que satisfeito com o que você consumiu e não precisa de mais.  

Mas afinal, o que isso tem a ver com opções? Antes de seguir vamos entender.

Afinal, o que são opções?

Tem um texto bem completo que fala sobre isso aqui no blog, mas de forma bem rápida: opções (ou contratos de opção) são um tipo de derivativo.

Eles são chamados de derivativos porque seu preço deriva, isto é, depende de outro ativo. Nesse caso, como estamos falando de opções de ações, o preço depende do preço da ação.

Ao comprar uma opção, você tem o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo a um preço especificado até determinada data.

Digamos que você ache que Petrobras tem um potencial de subir bastante. Você compra uma opção de compra de Petrobras a um valor mais alto do que está hoje, porque acredita que lá na frente, a Petrobras vai se valorizar tanto que essa opção vai foguetar.

O investidor seria o tomador da opção. A pessoa que tem o direito, mas não a obrigação de comprar a ação da Petrobras.

No caso da Coca-cola, o Edu tinha o direito de tomar o refrigerante inteiro, uma parte dele ou nem mesmo tomar, e aceitar o custo afundado. 

Vem ver. 

Por falar em custo afundado, essa foi mais uma correlação que surgiu nessa conversa. 

Viés do custo afundado

O custo afundado é caracterizado como uma despesa passada já paga e que não conseguirá ser recuperada, como no exemplo do almoço que tive com Edu e Gabriel. 

O Edu já tinha pago a Coca-Cola, tomado uma parte dela, e isso virou um custo afundado. Ele não poderia retornar meia latinha para o estabelecimento. Com isso, ele tinha duas alternativas: beber o resto do refrigerante ou deixar no copo.

Ele explicou que estava com vontade de tomar a coca-cola, mas sabe que no longo prazo, ficar tomando refrigerante é prejudicial à saúde. Então ele decidiu que deixaria o resto no copo, apesar de já ter despendido dinheiro.

No final das contas, ele tomou a decisão pensando nos benefícios futuros.

Trade off: como fazer as escolhas? 

Vou dar um exemplo sobre um projeto para ficar mais fácil de entender. 

Suponhamos que existe um orçamento para construção de uma hidroelétrica com investimento total previsto de R$50 milhões.

Ao longo do projeto, R$30 milhões já tinham sido gastos.

O valor do empreendimento nesse momento é zero, pois a usina está incompleta e incapaz de gerar benefícios nesse estágio.

No meio do caminho, surge uma nova tecnologia, possibilitando que uma usina termoelétrica com a mesma capacidade e mesmos custos operacionais seja construída por $10 milhões. 

Nesse caso, a hidroelétrica pode ser terminada por mais R$20 milhões ou simplesmente abandonada, e uma nova usina termoelétrica implantada por R$10 milhões e economizar os outros R$10 milhões. 

Parece óbvio que em uma decisão racional, abandonar a hidroelétrica e implantar a termoelétrica é o melhor a fazer, mesmo que isso represente uma perda total do investimento já realizado com a usina inacabada.

Por que o custo afundado pode atrapalhar os investimentos?

Veja, o viés do custo afundado pode ser traduzido pelo “modo jaque”.

Já que comprei a coca-cola, tenho que tomar até o final. 

Já que me dediquei a um projeto por 1 ano, não posso abandoná-lo mesmo que tenha indícios e dados de que ele não trará benefícios. 

Já que me dediquei para conhecer a ação X, tenho que manter ela na minha carteira, mesmo com rentabilidade negativa. Já que eu indiquei para todos os meus amigos investir na empresa X, eu não posso voltar atrás agora mesmo que o cenário tenha mudado. 

Se não tivermos uma análise crítica, é fácil se afundar em qualquer uma dessas emoções.

Além disso, os economistas afirmam que o Custo Afundado não deve ser levado em consideração na decisão a ser tomada. Seja ela para definir se vai tomar a Coca-Cola toda até se vai prosseguir ou não com um projeto. 

O viés do custo afundado está muito ligado à aversão à perda. Quando a gente se desprende das amarras do custo afundado, fica menos complicado tomar decisões. Como no caso do Edu: manter a saúde é mais importante do que tomar a Coca-cola toda. 

Agora me conta, você costuma levar em consideração o custo afundado para tomar decisão ou foca nos benefícios futuros?

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