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Balsas e linhas de trem: o que isso tem a ver com seus investimentos?

Nos anos 1870, um mega empresário conseguiu a proeza de ter a primeira empresa a valer USD 100 milhões de valor de mercado e ainda revolucionou o mercado nos Estados Unidos, ajudando no processo de industrialização.

Se você ainda não conhece a história de Cornelius Vanderbilt e quer saber como ele chegou até lá e o que podemos aprender sobre investimentos com ele, vem que a história é boa! 

Cornelius Vanderbilt: o comodoro

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Uma das características que mais me chamou atenção nele foi a competitividade. O que levou ele a tomar boas e más decisões em relação as suas empresas e investimentos. 

Vindo de uma família modesta de Staten Island, na Cidade de Nova York, Vanderbilt aos 12 anos abandonou os estudos e começou a trabalhar nas barcas. 

Aos 16, em 1810, comprou um ferry boat com um empréstimo de USD 100. Por volta dos anos 1840, seu único barco tinha se transformado em uma frota marítima com mais de 100 barcos que transportavam carga e passageiros a todos cantos dos Estados Unidos. 

Ele construiu o maior império de navegação do mundo e ficou conhecido como Comodoro. 

Um pouco antes da Guerra Civil Americana (1861-1865), ele decidiu investir em uma estrada de ferro intercontinental. Sua ideia transformou o país, reduzindo tempo de viagem, além de ser um transporte mais barato. 

Resolveu, então, vender todos os barcos e investir tudo que tem na estrada de ferro. 

Ao final da guerra, Vanderbilt era o homem mais rico dos Estados Unidos com mais de 68 milhões de dólares. Isso em 1865… era muito dinheiro na época! 

Aqui no Brasil acabamos sempre colocando na conta do governo e reclamando que não constroem ferrovias no país, mas quando olhamos para os EUA os investimentos em malha ferroviária vieram de uma iniciativa privada. 

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Concorrência 

Como disse no começo do texto, uma das características dele era a competição. Ele queria sempre ganhar. 

Detentor de boa parte da malha ferroviária e no auge dos 72 anos, Vanderbilt decide colocar seu filho Wiliam como diretor de operações e no meio das negociações de sua empresa de transportes ferroviários. 

William vai até uma empresa rival para fazer um negócio em que oferecia permissão para que os passageiros da cia rival tivessem acesso a Manhattan pelo valor de 200 mil dólares, em troca das cargas que transportavam. Os rivais debocharam do acordo e afirmaram que Vanderbilt estava velho e precisava se aposentar. 

Em resposta, o comodoro fecha a ponte Albany, principal acesso a Nova York e que ligava ao principal porto que supria o resto do país. Seus concorrentes ficaram com milhões de kg de cargas paradas e decretam falência, mas antes queriam vender suas ações em Wall Street.

As notícias de que a empresa estava fechando, chegou rápido a bolsa e o preço das ações caíram rapidamente. Assim, Vanderbilt resolve comprar tudo que podia. Em 3 dias assume o controle da ferrovia rival e cria a maior companhia ferroviária do EUA: a New York Central Railroad (1878). 

Para marcar esse feito, ele constrói a famosa estação de NY: a Grand Central. 

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New York Central Railroad

A New York Central Railroad foi a primeira primeira empresa a atingir o patamar de U$ 100 milhões em valor de mercado, deixou os bancos para trás e foi responsável por conectar fisicamente os Estados Unidos através de ferrovias. 

Além de ter revolucionado a forma como os norte americanos se deslocavam pelo país e como as cargas eram transportadas, o Comodoro tem o marco de ter fundado e desenvolvido a PRIMEIRA EMPRESA a chegar a USD 100 milhões em valor de mercado. 

Ambição cega

Depois da compra das ações, Cornelius tornou-se detentor de 40% das linhas férreas americanas. Porém, a linha mais movimentada do país que ligava Chicago a Nova York não era dele.

Vanderbilt era o homem mais rico dos Estados Unidos na época, ele queria o controle de todas as linhas de trem e decidiu colocar um plano em ação chamado tomada hostil: compraria o máximo de ações possíveis da companhia ERIE para ter o controle da empresa. 

Percebendo o movimento de Vanderbilt, 2 diretores da ERIE desconfiam do que ele quer fazer e decidem então ganhar dinheiro em cima dele. 

Seus nomes eram Jay Gould e Jim Fisk. Eles decidem imprimir ações da empresa em uma impressora que ficava no porão da ERIE.  

Nas regras da ERIE, tinha uma cláusula que dizia que a comissão diretiva podia fazer emissão de novas ações sem o conhecimento dos acionistas. 

Com isso, cada ação impressa diluía a posição de Vanderbilt, ou seja, para ser majoritário quanto mais Vanderbilt comprava ação, mais ele tinha que comprar. 

Essa plano que Gould e Fisk fizeram é conhecido como diluição de ações, altamente ilegal nos dias de hoje. Na época, não havia regulamentação de mercado.

No final, Vanderbilt pagou mais de 7 milhões de dólares e quando as ações chegaram, ele percebeu que eram ações impressas recentemente, estava diluído e havia perdido dinheiro. 

Gould e Fisk não se deram por satisfeito e estamparam nas principais mídias da época o golpe que haviam dado em Vanderbilt.

Reação

Ao se sentir humilhado publicamente, Vanderbilt tem uma sacada. Não iria mais construir novas linhas, mas sim transportar novas cargas. 

Na época, o querosene estava começando a ficar em alta por ser uma fonte de energia para as luzes que estavam chegando às cidades. Com o aumento da demanda, o comodoro enxerga uma nova oportunidade. E é aí que sua história se cruza com a de John D. Rockefeller, um petroleiro de Cleveland que revolucionou a indústria do petróleo. 

A ideia de Vanderbilt era monopolizar as entregas de querosene e assim se lançar novamente ao topo e chama Rockfeller para uma reunião. O contrato é fechado e muita água (ou óleo) rolou depois, mas esse assunto fica para um outro post. 

Lições que o investidor pode tirar 

Com a história do Vanderbilt, é possível aprendermos algumas lições para nossos investimentos.

Curto prazo e longo prazo

A primeira coisa que vem a minha cabeça é que é importante a gente ter o foco no longo prazo. 

Veja, Vanderbilt começou sua história com um barco de USD 100 que ele conseguiu comprar com um empréstimo, depois de 45 anos ele tinha mais de  68 milhões de dólares. 

Não foi do dia para noite que ele conseguiu ter uma frota com mais de 100 barcos, pelo contrário, demorou mais de  40 anos. 

Acredito que ao longo dos 40 anos, sua empresa sofreu variações diárias, semanais, mensais, anuais, mas no longo prazo, a rentabilidade foi muito boa. 

Nos mercado financeiro, se você não for fazer daytrade, mas sim investir em empresas que vão te trazer maior retorno, é essencial olhar para o longo prazo.

Enxergar oportunidades de investimentos no mercado e desapegar de posições

Ao acompanhar o mercado e perceber que tinha outro setor em ascensão, o das linhas de trens, Cornelius enxerga como oportunidade e vende a sua frota de balsas, para ter dinheiro para promover investimentos em outro setor. 

No mundo dos investimentos muitas pessoas carregam ações na esperança de que elas foguetem e pode ser que nunca aconteça. Ou então ações que caíram muito e não parecem ter possibilidade de subida. 

Inclusive, fiz um texto sobre o viés da ancoragem que fala sobre isso. E o exemplo que eu mais gosto, foi inclusive de uma fala do Edu em uma live que é o seguinte:

Quando a gente erra caminho no waze, ele recalcula a rota, certo? Por que não fazer isso nos nossos investimentos? 

Um dos Axiomas de Zurique que diz o seguinte: se sua ação caiu 20%, 30% e não tem uma justificativa plausível para ela voltar ao valor que era antes, saia dela! Recalcula a rota e segue o baile!

Ou seja, aprenda a enxergar oportunidades e desapega de determinadas posições que podem não dar tanto retorno quanto já deram. 

Outro ponto que acho interessante trazer aqui é tenha sempre uma reserva de emergência que pode servir também como dinheiro de oportunidade. Ou seja, é um dinheiro que se aparece uma oportunidade de um investimento mais interessante para os seus objetivos, você consegue manejar de forma rápida e investir para trazer mais retorno.

Nunca aposte mais do que você está disposto a perder

Essa é meio batida, mas é preciso ter cuidado.

Vanderbilt era tão competitivo e estava com uma ambição tão cega que ele acabou caindo em um golpe. No mercado financeiro, já presenciamos diversos golpes como pirâmides por exemplo que prometia alta rentabilidade com baixa volatilidade e alta liquidez. 

Que atire a primeira moeda quem não quer ter uma vida financeira confortável, mas de fato isso não acontece do dia para noite. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. 

Além disso, conseguimos perceber que a falta de regulamentação do mercado na época fez com que a dupla de golpistas conseguisse agir da forma que fizeram. 

Antes de finalmente alocar seu dinheiro, entenda quais são as garantias, se estão regulamentado. A velha história que quem é investidor de longa data já está cansado de saber, mas o seguro morreu de velho e esperamos que rico como Vanderbilt.

Agora quero saber de você, depois de ler esse texto: que outras lições consegue enxergar ao saber da história de Vanderbilt? 

No texto eu falei sobre o Rockefeller, que revolucionou o mercado de petróleo. Quer saber mais sobre a história dele?  

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