Geralmente quando se fala em investir, as pessoas falam de quantias grandes de dinheiro… R$10.000, R$50.000 ou mais. E isso dificulta a vida de quem tem muito menos para investir por mês, porque o caso dessas pessoas nunca é abordado.

Com menos dinheiro, a tarefa de diversificar se torna mais difícil do que parece. As vezes a aplicação mínima em um fundo é menor do que o total que você investe por mês.

Se você começar a pensar em balanceamento da carteira piora ainda mais: vamos supor que a sua tolerância a risco faz com que você deva investir 60% em renda fixa e 40% em renda variável.

Se você tem R$300 por mês para investir, isso significa R$120 em renda variável por mês

Poucos fundos de investimento tem a aplicação mínima que te permita investir neles com R$120. Existem ações em que a unidade custa mais do que R$120.

Mas isso não é um problema intransponível.

Hoje vou falar como eu investiria R$300 por mês para driblar esse problema e buscando estar alinhado com o meu perfil de risco.

Como começar a investir com pouco

Passo 1 – Balanceamento

Balanceamento

Primeiro, preciso pensar no meu balanceamento. Vou usar a lei dos 80 como parâmetro para o balanceamento.

Não conhece a lei dos 80? Dá uma lida nesse post aqui do blog!

Como eu tenho 27 anos, a lei dos 80 me diz que devo investir 53% em renda variável e 47% em renda fixa.

Investindo pouco dinheiro, é difícil estar alinhado ao perfil de risco desde o início, então é mais importante montar um colchão de segurança e liquidez.

Mesmo que isso signifique 100% em renda fixa no início.

Passo 2 – Montar um colchão de segurança

Colchão de segurança

Uma boa ideia na hora de montar seu colchão de segurança é fazer com que ele seja algumas vezes maior do que seu custo mensal.

Isso significa que se acontecer algo, como você ser demitido, você ainda consegue viver alguns meses bem enquanto procura um outro emprego.

Eu gosto de ter 6 meses de colchão de segurança, mas pode ser menos ou mais.

Como montar um colchão de segurança e liquidez? Investindo em produtos com alta segurança e alta liquidez. Títulos públicos resolvem esse problema. Cada título tem uma função:

  • Tesouro Selic -> Para ter liquidez
  • Tesouro IPCA+ -> Para me blindar da inflação
  • Tesouro Prefixado -> Para surfar uma queda de juros

Uma vez que seu colchão de segurança já está do tamanho adequado, começa a chegar o momento de começar a se expor a renda variável, buscando aquela exposição ao risco que a lei dos 80 diz.

Passo 3 – Investindo em Renda Variável

Vamos supor que você tenha um gasto mensal de R$2.000 e que seu colchão vai ter 6 meses.

Nesse caso, o seu colchão está “pronto” quando você tiver R$12.000.

A partir daí, chegou a hora de começar a se expor em renda variável.

Mas existe um problema.

De novo nos esbarramos no problema dos aportes serem pequenos para diversos fundos de investimento e ações.

O jeito que usamos para driblar isso é continuar investindo esse dinheiro em um ativo de alta liquidez para esperar ter capital suficiente para investir no que você deseja.

Tesouro Selic cumpre esse papel, assim como fundos DI, por ter liquidez D+0.

Uma vez que você já tenha o aporte mínimo, você deve aos poucos ir investindo na Renda variável para buscar o balanceamento que faz sentido com você.

O mundo de renda variável é muito amplo e vai de cada um escolher o que faz mais sentido em relação às metas.

Alguns ativos interessantes são os ETFs:

  • BOVV11 -> Acompanha o Ibovespa
  • SMAL11 -> Acompanha o índice Small, que é de ações menores que a Ibovespa
  • SPXI11 -> Acompanha o índice S&P de ações americanas, para se expor à oportunidades nos Estados Unidos.

Tem um texto explicando um pouco melhor como funcionam os ETFs aqui no blog.

Conclusão

Começar a investir é sempre difícil. Quando se começar com aportes pequenos, é mais difícil ainda. Esse é um dos motivos pelos quais tanta gente simplesmente não investe.

A boa notícia é que com tempo, essa tarefa começa a ser um hábito e passa a ser prazerosa quando você ve o dinheiro entrando.

Além do fato de que, com o tempo, você passa a ganhar mais no trabalho e tende a investir mais mensalmente, o que passa a ser uma bola de neve descendo a ladeira rumo à independência financeira.