fbpx
Usar de graça Acesse sua conta

Como o dólar mais caro – e o real desvalorizado – impactam o seu bolso? Entenda

Certa vez, Edmar Bacha, renomado economista brasileiro e um dos criadores do Plano Real, afirmou que “a taxa de câmbio é uma invenção de Deus para humilhar os economistas”. São muitas variáveis envoltas na performance de uma moeda e na sua correlação com outras. Dizer se o Real vai se fortalecer ou se enfraquecer frente ao dólar nos próximos meses é praticamente impossível. 

Mas é fato que a moeda brasileira vem enfraquecendo recentemente.

Nos últimos meses uma tendência de desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar e de outras moedas se deu por vários motivos. Risco fiscal, ruídos políticos, desvalorização das commodities, perspectiva de tapering nos Estados Unidos – tudo tem sua parcela de ‘culpa’ na desvalorização do Real.

Para muitos, a questão que fica é: como isso interfere na minha vida? 

Mesmo se você não investe, tenha em mente: o câmbio impacta a sua vida.

Alta do dólar encarece uma gama de produtos

Ao comprar um eletrodoméstico ou um equipamento eletrônico, por exemplo, é muito provável que você esteja, mesmo que indiretamente, fazendo uma transação que envolve o dólar. Isso porque a maioria dos eletrodomésticos e eletroeletrônicos são fabricados no exterior ou, ao menos, desenvolvidos utilizando tecnologia estrangeira em suas composições (com questão de direitos autorais, por exemplo).

Mas nem é preciso pensar em produtos tecnológicos para refletirmos quanto a oscilação do Real impacta a nossa vida. 

Quando você vai a um posto de gasolina, por exemplo, você está se expondo a oscilação do Real e a do dólar. Se a moeda brasileira se desvaloriza, é normal que a gasolina fique mais cara. Isso porque o mercado do petróleo é internacional: sendo produzido no Brasil ou não, o petróleo é vendido em dólar. 

A Petrobras produz um barril e o custo dele está a cerca de US$ 80 no mercado mundial atualmente. Se o Real desvalorizar, o barril ficará mais caro no Brasil, justamente por ser cotado em dólar. Do olhar corporativo, não faz sentido a Petrobras “ignorar” o preço dessa commodity no mundo. Mesmo produzindo no Brasil, a empresa, ignorando o preço do dólar, estaria saindo no prejuízo (a maioria dos insumos para a produção são importados) ou ao menos deixando de ganhar.

O mesmo vale para minério de ferro, carnes, trigo e todas as commodities, que são base para a maioria dos produtos que consumimos e usamos no nosso dia a dia e comercializadas em dólar. 

É por isso que, quando o Real desvaloriza, temos, geralmente, uma inflação mais descontrolada. Tanto produtos importados tendem a ficar mais caros, justamente por serem comumente negociados em dólar.  

Para quem não investe e gosta de turistar ou tem planos como estudar fora do país, vale a mesma coisa. Ao viajar para o exterior, se o Real estiver desvalorizado, torna as coisas mais caras. 

Do outro lado, quando o Real se valoriza frente o dólar, o poder de compra dos brasileiros aumenta. Para comprar eletrônicos, produtos alimentícios ou para viajar, este é um bom momento. 

Ao mesmo tempo, porém, é normal quando o “dólar cai” que as exportações brasileiras caíam: produzir no país se torna mais caro e os produtos nacionais acabam perdendo competitividade no mercado externo, a depender do caso. 

Pense você: um produtor agrícola brasileiro que vende commodities majoritariamente ao exterior e tem de pagar funcionários em reais. Se ele recebe em dólar e gasta em reais, quando a moeda brasileira avança, o lucro diminui e os gastos, dessa forma, aumentam. 

Quando dólar fica mais caro, é hora de repensar seus investimentos

Toda essa dinâmica, que não é fácil de entender e muito menos de prever próximos desfechos, se repete também no mercado de capitais. 

O recomendado pelos analistas é que, quem investe, deve ter sempre uma parcela da sua carteira atrelada ao dólar – não importa se ele está subindo ou caindo. É uma forma de se proteger. 

A moeda americana costuma ser um porto seguro quando o cenário doméstico fica turbulento. 

Formas simples de fazer isso é comprando dólar, por exemplo, ou companhias estrangeiras, que trabalham, majoritariamente, com essa moeda. 

No Brasil você pode, por exemplo, comprar os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que nada mais são do que ações estrangeiras “replicadas” na bolsa brasileira. Por meio desses certificados de valores mobiliários, é possível investir em companhias como Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34) e Apple (AAPL34), entre um universo extenso de companhias de variados setores. 

Outros caminhos para diversificar e investir em ativos com exposição cambial são os ETFs que replicam índices do mercado americano que são negociados na B3. Por exemplo, o IVVB11, SPXI11, SPXB11, NASD11, TECK11 etc.

E investir em companhias de commodities, por exemplo, é uma boa forma de se expor “positivamente” ao dólar. Quando o real desvaloriza, essas empresas costumam vender mais e ainda aumentarem suas margens de lucro, uma vez que vendem na moeda americana e, para produzir, gastam na moeda brasileira. 

Os setores mais famosos por se beneficiarem da alta do dólar são mineração, papel e celulose e alimentos.

Mas é claro que não é apenas o dólar que interfere na performance de ações desses setores na bolsa de valores. É preciso analisar os fundamentos das empresas – posicionamento no mercado, se estão com as finanças arrumadas e com baixo endividamento, se tem como avançar em seus negócios, ampliando receitas e lucros. 

Contudo, a alta acentuada do dólar pode prejudicar alguns setores. É o caso, por exemplo, de empresas que têm dívidas emitidas na moeda americana – aí há uma pressão contrária, pois a companhia verá as dívidas crescerem, acompanhando a moeda americana.

Quando o dólar começa a apontar para alta, por outro lado, há companhias que sofrem com isso – principalmente as que possuem muitos gastos na moeda americana. 

A Gol e a Azul, por exemplo, têm ações que performam comumente de forma inversamente proporcional à moeda americana. Quando o dólar sobe, essas companhias veem os seus gastos com combustíveis crescerem, como já mencionado e ainda são ameaçadas pela possível queda da procura por voos – uma vez que viajar também se torna mais caro. A CVC vai no mesmo caminho. 

Incorporadoras sofrem do mesmo mal, por verem, com o dólar aumentando, as matérias-primas que usam em suas construções ficando mais caras no mercado interno. Setor de saúde, com insumos importados, vai no mesmo caminho.

Quando o dólar cai, as companhias até então mencionadas costumam, logicamente, a tomarem caminhos contrários ao exemplificados. 

Calcular a exposição certa de uma carteira ao dólar não é algo simples, mas é necessário. Ter aportes em companhias que se beneficiam da alta da moeda americana e da queda é algo que qualquer pessoa que investe tem de fazer.

O aumento da taxa de câmbio tem prós e contras. Você pode se dar bem ou mal com as flutuações cambiais. O importante é saber como abraçar as oportunidades que surgem e não cair em armadilhas.

Você já possui exposição em dólar na sua carteira? Ou ainda está pensando em ter? 

Acompanhe todos os seus investimentos no Real Valor – baixe o aplicativo gratuitamente. Com ele, você pode comparar o desempenho do seu portfólio e dos diversos ativos com os principais indexadores do mercado, inclusive com o dólar. 

341 / 377

Leave a Reply

Required fields are marked