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E depois do coronavírus? Quais oportunidades do mercado?

Algumas pessoas que acompanham os investimentos, estão preocupadas com o que pode vir depois desse cenário de pandemia, com quarentena e como essa segunda onda vai ser. Tem até texto falando sobre o porquê o coronavírus não é o principal problema. Apesar do cenário caótico do coronavírus, sabemos que existem oportunidades de mercado.

Com isso, resolvemos trazer cada vez mais conteúdos para vocês.

Tivemos uma live do Edu com o sócio do Dahlia Capital, Paulo Dale e com o sócio do RVI Capital, Bernardo Pereira para falarem sobre o Cenário Pós Coronavírus e as oportunidades de mercado. 

Na live foram abordados temas como: o que o Dahlia está fazendo para lidar com essa crise nos fundos que gerem, como montam e gerem a carteira do fundo de investimento Dahlia Total Return, quais medidas para proteção, entre outros assuntos.

Ainda falaram das expectativas da duração da crise e como lidar com o momento atual. 

Antes de mais nada, vamos às apresentações: 

Com dois anos de existência, o Dahlia Capital é uma gestora independente de recursos, focada nos mercados de ações e dívida corporativa da América Latina.

Atualmente, sob sua gestão tem três fundos:

  • Dahlia Total Return FIC FIM
  • Dahlia Institucional FIC FIA
  • Dahlia 70 Advisory XP Seguros Prev FIC FIM 

Apesar de recente no mercado, a equipe responsável tem mais de 20 anos de experiência no mercado, o que é muito interessante, porque são pessoas que já passaram por outros cenários de crise. 

Paulo Dale é um dos sócios e fala que o que estamos vivendo são tempos incríveis, já que tudo é muito inédito.

Ainda que o cenário não seja dos mais favoráveis, Paulo acredita que é preciso ter calma e enxergar a longo prazo o que pode acontecer. 

Em um formato de perguntas e respostas, confira o que foi falado durante os 43 minutos de muito aprendizado. 

Se você quiser, pode ver a live completa por esse link: 

O Dahlia Total Return é um fundo multimercado, o que diferencia ele dos outros fundos?

Paulo Dale: O Dahlia Total Return tem foco em ações brasileira e da América latina, mas também temos espaço para renda fixa, moedas, commodities e ouro. 

Pensamos na  melhor composição de carteira para aproveitar as oportunidades quando os cenários são positivos e ter segurança em cenários negativos, como o que estamos vivendo nessa época de coronavírus. 

De 2016 para cá temos acompanhado uma mudança no perfil dos investidores saindo de renda fixa para produtos mais agressivos como fundo de ações

Mas entendemos que essa transição deve ser feita de forma gradual, porque as pessoas que ainda não tem experiência com renda variável ou fundos de ações.

Na primeira queda da bolsa em 5%, os investidores mais inexperientes pedem resgate, saem e nunca mais voltam.

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Por isso, o nosso risco é meio bolsa, ou seja, metade do risco da bolsa. Por ser um fundo multimercado, conseguimos utilizar diversos instrumentos, para evitar risco muito elevado e proteger a carteira, como por exemplo posição comprada em dólar e investimento em ouro.

A nossa ideia é ter uma faixa entre 20%-80% em posição líquida para aumentar ou diminuir o risco. Analisamos sempre o cenário, para decidir a composição da carteira. Ou seja, quando cenário está pessimista ficamos numa faixa entre 20%-25% e otimista a gente sobe para até 80%.

Além disso, nós fazemos a composição de carteira de forma integrada. 

O que isso significa?

Normalmente os fundos de ações são conjuntos de apostas isoladas, separados por categoria, dependendo do perfil do gestor. No caso do Dahlia, nós temos um tema macro que direciona nossas decisões. A partir das sugestões dos analistas nós escolhemos quais papéis escolher.

Como são feitas as análises das ações que compõem a carteira e de que forma são escolhidas? 

Fazemos análise fundamentalista para escolha das empresas, a gente não fica comprando ação todo dia, toda hora. Como disse antes, a gente tem um tema macro que vem de acordo com a análise de três pilares. 

O cenário macro global:  

Por exemplo, no momento, temos acompanhado a disseminação do vírus, como vai ser a transição da quarentena horizontal, tendência de crescimento de pib.

O cenário local 

No caso de América Latina, vamos que países estão mais bem preparados para encarar os desafios, analisamos o cenário político economico, qual partido está com mais força se é de esquerda ou direita. 

Análise de mercado e segmento

Não fazemos carteiras individuais de risco ou por setor, analisamos quais podem ter potencial de crescimento e quais setores e empresas se adequam a visão macro da Dahlia. Por isso, pode acontecer de ter uma maior concentração de um setor do que outro. 

No fim das contas, nosso interesse é de que os fundos vão bem. Então pegamos as melhores ideias dos analistas em todos os momentos e discutimos se vamos aumentar ou diminuir o risco, olhando sempre o tema que estamos focados. 

A gente viu que o cenário base foi atingido por um meteoro. Nós estamos com prospecto de recessão. Vocês conseguem projetar as consequências? Conseguem prever velocidade de retomada da economia? 

Nesse momento, a gente precisa acompanhar tendências. Como assim? 

Em Março, a gente não via luz no fim do túnel, principalmente nos países europeus que foi onde começou o boom depois da China, né. 

O que a gente fez no momento foi reduzir o risco e mesmo quando a bolsa deu uma subida no meio de Março, a gente segurou a ansiedade porque ainda não tinha um norte. 

No fim de Março, a gente começa a ver uma luz no fim do túnel. O número de casos na Europa começou a se estabilizar.

Com isso, é possível traçar um paralelo do tempo que os casos demorariam a crescer e se estabilizar tanto quando se trata de Brasil quanto Estados Unidos. Nesse momento, nosso posicionamento aumentou e ficamos na faixa dos 50%, que é considerado neutro. 

Agora  para frente é continuar acompanhando as curvas da Europa, Brasil e EUA. 

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No caso de Brasil e EUA é importante ver se tem o mesmo tipo de comportamento, com isso a tendência seria um pico até o final do mês de abril.

Além disso, importante acompanhar a transição da quarentena horizontal para vertical.

E por quê é importante a quarentena horizontal? 

Precisamos para preparar o sistema hospitalar para receber as pessoas, farmacêuticas receberem remédios e os testes para disponibilizar. Em se tratando de vacina ainda demora mais tempo, mas tendo os testes, vai ser possível ver as pessoas que tem e as que não tem vírus e aos poucos abrir as portas da quarentena para ir para quarentena vertical.

O pior cenário nesse momento seria liberar todo mundo, o Brasil ter um  novo pico como segunda onda e aí sim, vai complicado

Recessão

É muito provável que vamos ter recessão. Tecnicamente, recessão é a partir de 2 trimestres seguidos com PIB negativo. 

Geralmente, a economia reage muito mais lenta do que o mercado financeiro (preços negociados em bolsa). 

A bolsa antecipa o ciclo econômico e já precificou recessão, por isso batemos 62 mil pontos sem sair número de pib. 

A bolsa trabalha com pior cenário para depois ir ajustando. Dessa forma os valores dos papéis são precificados muito mais rápido em resposta à catástrofe, mas também responde rápido a melhora.

Velocidade de recuperação

A recessão vai ter uma certa magnitude ainda desconhecida, e a tendência é de que tenhamos a recuperação no final do ano. Ou seja, o que estamos esperando é que a bolsa volte subir, e subir rápido no fim de 2020. 

Entretanto, a velocidade da recuperação da bolsa e o quanto ela vai subir vai depender da magnitude da recessão. Se for uma recessão em torno 1%- 2%, é possível que a bolsa volte para 90/100 mil pontos. 

 Se for mais que isso, a bolsa chega aos  80/90 mil pontos.

Ou seja:

  • Recessão moderada – 90/100 mil pontos
  • Recessão maior – 80/90 mil pontos 

O que é importante agora? 

Não se prender ao curto prazo e olhar para o longo prazo. 

Nós enquanto gestores temos que olhar curto prazo, cota diária, para entregar o que nos propusemos com certo nível de risco. 

Nós olhamos o curto prazo e vamos digerindo as informações para modelar o longo prazo. Não fazemos aposta no copom. O que importa é olhar a tendência 

Claro que no pior do pior do pior cenário, vende tudo, mas quando tem luz no fim do túnel, é o momento de analisar o que pode ter de oportunidade. 

Para quem aposta em Renda Variável tem que olhar para 2022/2024.

A gente viu muitos setores nesse período específico se valorizarem, mas é importante ver também os ativos, empresas, setores que “apanharam” mais do que deveriam, mas que tem fundamento, geração de caixa. 

Nessa época de coronavírus, o que estão olhando mais de perto como oportunidades de mercado para alocação na carteira?

Cenário base dólar, bolsa e juros:  

  • Estados Unidos com forte incentivo monetário e fiscal do governo e Banco Central Americano 
  • Dólar forte no mundo
  • No Brasil vamos ter juros baixo, crescimento baixo

O real se desvalorizou muito frente ao dólar, o cenário que esperamos é de  juros baixos no Brasil por muito tempo, 3%-6%. No curtíssimo prazo teremos redução de juros podendo chegar até 3%. 

Nesse momento, com a nossa moeda desvalorizada e as empresas com geração de caixa menor do que o esperado, a primeira coisa que vamos ver é endividamento e endividamento em moeda estrangeira.

Não é indicado atuar com empresas alavancadas no exterior.  

As empresas listadas na B3, podem ser consideradas como as maiores e melhores empresas do país, ou seja, campeãs do setores.

E por que digo isso? 

No pós recessão ali de 2014-2016, as empresas que sobreviveram saíram mais fortes: pagaram dívidas, diminuíram custos, ou seja, fizeram o dever de casa. Hoje, temos poucos casos de empresas muito alavancadas em bolsa.

Petrobras é um exemplo de empresa com bom posicionamento de balanço e nível de endividamento baixo, assim como empresas dos setores elétricos. 

O ex-governador de São Paulo, em entrevista, falou que dólar alto é bom para o setor agro, e o restante o que acontece?

A gente teve nos últimos 30 anos uma moeda sobrevalorizado o que destruiu o nosso parque industrial, porque as pessoas buscavam importação. Ou seja, quem produz aqui, apanha com o dólar baixo. 

As características de um país que caminha para o desenvolvimento geralmente são:

  • juros baixo
  • inflação baixa
  • moeda depreciada

Quem depende de importação vai ter que se adaptar, implementar tecnologia, desenvolver soluções nacionais.

O dólar alto é melhor para o desenvolvimento do país.

Sobre a recuperação da bolsa brasileira, ela vai ser atrelada a bolsa americana?

A bolsa americana vai se recuperar antes da nossa.

Lembre-se o EUA é o pulmão econômico do mundo, eles tem a melhor demografia, melhor geografia, melhor marinha, moeda forte. O que acontece nos EUA lidera o mundo. 

Além disso, como o dólar é moeda de referência, isso atrai recurso para o país. 

O título público americano paga zero. Para que ativos que vão esses dólares? Para empresas, consequentemente, para bolsa

Se a maioria dos importados é Chinês, como estas empresas tipo varejo vão conseguir sobreviver?

Micro e pequenas empresas vão sofrer bastante, as médias e grandes  talvez não sofrem tanto. A solução vai ser buscar produtos semelhantes no Brasil.

Quando o dólar está a R$ 3 ninguém compete com a China, e isso quase quebrou a indústria de calçados no sul do Brasil. 

Com o dólar a USD 5, a indústria nacional consegue  competir com a china

Por exemplo, a Hering não vai mais precisar importar camiseta branca, pode produzir aqui. É o que chamamos de substituição de importação. 

Assim, os pequenos fabricantes vão poder ter um mercado, vão poder se recuperar mais rápido

Vai ter ajustes de preços, mas vamos ver o efeito de inflação só lá pra frente e vamos ter que nos adaptar ao novo normal, buscar novos produtos no Brasil e em outros países da América Latina por exemplo. 

Qual a chance do nosso governo perder o controle da Inflação com todo esse pacote que está sendo enviado para salvar as empresas?

Não vejo problema de inflação no curto prazo. A quantidade de desempregados é muito alta e com a crise, vai aumentar. 

Quando temos mais desempregados, temos um baixo consumo porque não tem renda girando. 

A economia teria que aquecer muito rápido e o desemprego cair muito rápido também para que tivéssemos um problema de inflação.  

Inclusive temos até a gasolina caindo de preço, por conta do valor do petróleo. 

Essa foi a live que tivemos com o Paulo Dale, da Dahlia Capital. E você? O que achou? Tem opinião parecida com a dele ou divergente? Comenta aqui! 

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