Como você deve ter acompanhado nos últimos dias, a relação entre Estados Unidos e Irã ficou ainda mais tensa do que estava.

No dia 02 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos ordenou um ataque aéreo de drone em Bagdá que resultou na morte do principal general do Irã Qassem Soleimani.

Em resposta, o Irã retaliou o ataque com mísseis numa base aérea americana no Iraque.

Muitas pessoas falam que isso seria o início de uma possível guerra. Na verdade, ninguém sabe ainda o que pode acontecer e é importante ficar de olho nos próximos acontecimentos.

Apesar de o presidente norte americano ter feito um discurso de paz, achei importante escrever um texto para mostrar o que pode influenciar no mercado financeiro brasileiro, caso o conflito escale.

Mas… antes de entrar nesse assunto, é importante entender o papel do Irã no cenário mundial.  

Irã escoa 20% de produção de petróleo

O país é o décimo maior produtor de petróleo do mundo, de acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O Irã tem atualmente o quarto maior depósito comprovado do mundo de petróleo bruto, e as segundas maiores jazidas de gás natural do planeta.

Além disso, é um dos países que controlam o Estreito de Ormuz.

Algumas pessoas não sabem onde fica e por que ele é tão relevante, então vou falar rapidamente sobre ele.

O Estreito de Ormuz

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O Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica.

Como o nome já diz, é um pedaço de oceano estreito que permite a navegação de Irã e Omã com o Mar da Arábia, o que viabiliza o transporte de petróleo para consumidores na Ásia, na Europa e na América do Norte.

É por esse estreito que cinco importantes membros da OPEP escoam sua produção de petróleo: Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque .

Desde 1997 o ministro do Irã apoiou o livre transporte de petróleo através do estreito, porém se reservou o direito de fechar a rota se o Irã fosse ameaçado.

Deu para perceber que é uma área importante quando se trata de petróleo! 

Mas afinal, o que acontece no mercado financeiro caso esse conflito Estados Unidos e Irã escale?

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Agora você já sabe que o Irã e mais quatro membros da OPEP utilizam essa região em que está tendo o conflito para transportar o petróleo para o resto do mundo, certo?  

Esse incidente aumentou ainda mais a tensão em uma rota marítima vital pela qual passam centenas de milhões de dólares em petróleo. Isto é, caso o confronto na região escale, a quantidade de petróleo diminuirá.

Se a oferta diminui, a tendência é de que o preço do barril de petróleo suba.

Inclusive, na sexta-feira após os ataques já foi possível ver esse fenômeno: o barril do tipo brent chegou a subir 4%.

Isso pode impactar positivamente empresas como Petrobrás e negativamente empresas que compram derivados de petróleo, como por exemplo as empresas de aviação.

Se levarmos em conta que a maior parte dos produtos no Brasil são transportados por caminhão podemos ver um efeito em cascata que tende a aumentar o IPCA:

1-Derivados do petróleo sobem de preço

2-Transportar produtos pelo Brasil a fora se torna mais caro

3-Os produtos agregam esse maior preço de transporte no preço final

O que acontece no final é que os produtos ficam muito mais caros, aumentando a inflação. Inclusive, esse efeito pôde ser percebido na greve dos caminhoneiros.

Como falei no começo do post, é importante ficar de olho nos próximos acontecimentos para ver os desdobramentos que isso pode ocasionar. 

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