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Fundos quantitativos e as pepitas de ouro do mercado

Em março de 2020, enquanto a bolsa amargava -30%, um fundo operava 19% positivo. Entenda como os fundos quantitativos encontram pepitas de ouro no mercado e como podem entrar na estratégia de diversificação e descorrelação de carteira.

O que é fundo quantitativo e por quê eles vem se destacando no mercado?

Vou voltar um pouco no tempo para fazer uma metáfora:

Você lembra que tivemos a corrida do ouro aqui no Brasil há 500 anos atrás, certo? Como esse ouro era descoberto?

Os portugueses e espanhóis mandavam os garimpeiros irem para o riacho com pás e peneiras procurar ouro. Nessa época a forma de mineração do ouro era totalmente rústica, porque era possível ver as pepitas a olho nu. 

Depois de 500 anos de exploração é quase impossível ver ouro assim a olho nu, mas a produção de ouro hoje em dia é 50 vezes maior que há 500 anos atrás. Como isso se explica? 

Atualmente, para achar ouro precisa de muita tecnologia: máquinas gigantescas, com processos químicos para dissociar partículas de outros materiais, para depois fundir e assim formar a pepita. 

Fazendo um paralelo com o mercado financeiro, todo mundo está em busca da pepita de ouro, certo? Há 30, 40 anos atrás, as pepitas eram gigantes a olho nu. Você colocava um NTNB na carteira e tinha um rendimento significativo com pouco risco. 

Só que hoje, as grandes oportunidades não são tão visíveis a olho nu. Então, os fundos quantitativos usam tecnologia para achar as oportunidades de mercado e potencializar a capacidade de gestão para entregar o melhor retorno. 

E por quê mudou tanto essa forma de encontrar as pepitas do mercado?

Quantidade de informação que produzimos 

Um estudo da IBM sobre a quantidade de informação produzida na humanidade concluiu que 90% da produção de informação é dos últimos 12 meses. E que a cada ano, a quantidade de informação disponível pode ser multiplicada por 10. 

Entretanto,  a gente não consegue processar essa quantidade exponencial de informação. E no mercado financeiro, quem está mais bem informado, tem vantagem competitiva.

Assim, os fundos quantitativos usam poder computacional para processar uma quantidade de informação maior. 

Velocidade do mundo 

Se formos parar para pensar, na crise de 2008 demoramos meses para atingir o fundo máximo. Ou seja, a distância do pico para o drop drown levou meses para acontecer. 

Em 2020, com a crise do coronavírus, demoramos dias porque boa parte do mercado já usa tecnologia. 

Dos top 10 hedge funds do mundo nos EUA, 8 são pautados em tecnologia. 

Para você ter uma ideia da velocidade, vou te dar um exemplo:  

Quando sai uma notícia que pode mexer com o mercado e impactar as posições, você como um trader provavelmente vai agir.  

Do momento que você recebe a notícia, processa, toma uma decisão, emite e executa uma ordem, se você for muito rápido, vai demorar alguns segundos. 

Quando falamos em algoritmos, são milissegundos. 

Para te dar um parâmetro desse exemplo, a Giant hoje processa uma informação, toma uma decisão, envia uma ordem e executa em 13 milissegundos. Um estalar de dedos são 500 milissegundos

Hoje em dia, vivemos em um mundo muito difícil navegar sem tecnologia e por isso fundos quantitativos usam máximo de tecnologia possível para ter vantagem competitiva.

Então fundos quantitativos é gerido por robôs?

A imagem que as pessoas tem na cabeça quando se fala em quantitativo é que é um robô terminator que fica vendo o mercado para escolher quais ativos comprar.

Na verdade a melhor imagem é a de um nerd que usa tecnologia para ser mais eficiente. 

Como por exemplo, o homem de ferro. Já viu o filme dele da Marvel? O cara tem uma armadura toda tecnológica, mas quem controla é o Tony Stark, um ser humano. 

As pessoas que trabalham nos fundos quantitativos usam a tecnologia para achar as pepitas de ouro no mercado.

Todos os fundos quantitativos usam a mesma estratégia?

Para você entender melhor, precisa saber que algoritmos nada mais são do que um conjunto de Se’s. 

  • Se acontecer X, executa Y
  • Se acontecer Z, executa W 
  • E assim por diante. 

O valor do algoritmo não é a execução e sim o que executar e isso sai da cabeça do gestor. Por isso, respondendo a pergunta, cada fundo quantitativo tem a sua estratégia definida pelo gestor. Apenas a ferramenta que é quantitativa. 

Pedro Simonetti, sócio da Giant Steps , conta que utilizam estratégias diferentes para 2 regimes de mercado e como os fundos se comportam. 

  • Quando investidores estão racionais: analisam fundamentos, vêem se o preço faz sentido para determinado ativo, opera utilizando a lógica
  • Quando a lógica vai para o espaço: o driver de preço é a emoção (psicológico). O famoso efeito manada que a gente já trouxe aqui várias vezes. 

Os fundos Zara e Darius seguem o segundo regime e fazem  dinheiro em momentos de emoção (pânico ou euforia)

É como se os algoritmos fossem um radar monitorando ativos no mundo inteiro bolsa, câmbio, juros, commodities e identifica indícios que determinado mercado vai ser dominado pela emoção (pânico e euforia). 

Então monta a estratégia rapidamente para surfar a onda. O gráfico do fundo parece uma escada, ele anda de lado por um tempo e sobe degrau.

Rentabilidade do Fundo Zarathustra. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.

Isso já é previsto, porque na maior parte do tempo os investidores estão racionais

Fundo Zara da Giants Steps Capital reabre segunda-feira 01/03

Já o fundo Sigma faz dinheiro nos momento de racionalidade, ou seja, os algoritmos são programados para operar usando fundamentos, processo informação.

E qual a diferença para uma análise fundamentalista feita por um gestor tradicional?

Quantos ativos uma pessoa consegue acompanhar de perto? 

Talvez 10, 20, 50..

Com uma equipe pode chegar a 200. O sigma acompanha 5.000 ativos.

Em relação ao coronavírus: como os fundos quantitativos se comportaram? É possível afirmar que o algoritmo previu o que iria acontecer?

O algoritmo não é mãe dinah.

Mais uma vez, ele é um conjunto de Se’s que vai sendo incrementado ao longo do tempo, mas o fundo performou bem porque olhou historicamente o comportamento do mercado quando sofremos vários choques.

A história não se repete, ela rima, ou seja, é possível usar históricos passados para ter noção do que fazer quando começa a dar problema.

Independente se é uma pandemia, uma lei que muda o mercado, uma guerra, se um país influencia o outro ou se vai ter coronavírus.

A explicação importa menos, no final do dia o que interessa é como o mercado reage a isso, como os investidores lidam com um choque desse tipo.

Concluindo

Um fundo quantitativo usa tecnologia para potencializar as oportunidades de mercado. Entretanto é sempre bom ver a estratégia de cada um, uma vez que cada gestor tem uma forma de lidar com os dados que estão sendo trabalhados. 

E você? Já conhecia os fundos quants? Comenta aqui e me diz. 

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