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IVVB11: é uma boa alternativa para diversificação internacional?

Essa semana colocamos na caixinha de perguntas do instagram o que os usuários gostariam de ver aqui no blog. Se você ainda não segue nossa página, aproveita e clica aqui para seguir

E algumas pessoas falaram sobre alternativas para investimentos no exterior. 

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Apesar de já ter falado aqui sobre ações americanas, fundos de investimentos internacionais e BDRs, percebi que não tinha falado sobre um dos ETfs mais famosos: o IVVB11. 

Primeira coisa, por que diversificar entre países?

Vamos para alguns dados.

Primeiro ponto: o PIB do Brasil representa apenas 2% do PIB Mundial. 

Segundo ponto: já parou para pensar quantas empresas tem no Brasil e quantas tem no mundo? 

O Índice Bovespa tem 75 empresas, que representam 80% do número de negócios e do volume financeiro do nosso mercado de capitais.

Na sua maior parte são empresas financeiras, como os grandes bancos, empresas industriais e commodities.  

Em um mundo em que a tecnologia avançou 10 anos em 6 meses por conta da pandemia, qual a chance de o Brasil ser a melhor alternativa, se tem apenas 2% de empresas de tecnologia no Índice Bovespa?

Qual a chance de todas as melhores oportunidades estarem no Brasil? 

Não digo que não tenham boas oportunidades aqui. A questão é que, probabilisticamente, é impossível que TODAS as melhores oportunidades sejam brasileiras. Se existem melhores oportunidades lá fora, talvez devêssemos olhar para lá também

Terceiro ponto: diversificar internacionalmente também ajuda na gestão de risco da carteira. Melhor que tentar prever qual país vai foguetar ou entrar em crise, é melhor ter uma carteira balanceada. 

Não fazemos qualquer tipo de recomendação, mas é sempre importante ficar ligado no que você pode melhorar na sua carteira, certo?

Agora que estamos alinhados, vamos falar sobre o ETF IVVB11.  

O que é um ETF?

A sigla ETF vem de Exchange-Traded Fund. É um fundo de investimento negociado em bolsas de valores, como se fosse uma ação qualquer. Os ETFs são fundos que seguem o rendimento de determinados índices do mercado como Ibovespa, S&P500,.

No ETF, a gestora compra as ações que fazem parte do índice e assim, ao invés de você ter que comprar diversos ativos diferentes, pode comprar somente um e terá uma rentabilidade muito próxima à do índice. 

Se você quer saber mais sobre ETF, tem um texto muito bom aqui no blog. Dá uma olhada!

E o que significa S&P 500? 

O S&P500 é um dos mais famosos índices do mercado financeiro no mundo.

Ele reúne as 500 maiores empresas do mundo listadas e domiciliadas nas principais Bolsas de Valores dos Estados Unidos, a NYSE e a Nasdaq. 

Uma característica interessante é que o setor de Tecnologia é o mais representativo no S&P: ⅓ do índice é formado por companhias essencialmente digitais. 

O grupo FAAMG (Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google) é o grande responsável por essa parcela considerável do índice. Além disso, elas representam ⅓ do mercado de ações global. 

Inclusive lembrei de um texto que o Edu fez aqui sobre porque as empresas de tecnologia são mais robustas ao Covid. Vale muito a leitura.

Já deu para perceber que o S&P 500 é o índice mais importante quando falamos de ações norte-americanas. 

Vamos ao IVVB11… 

Juntando tudo agora: o IVVB11 é um ETF e segue o índice S&P500. Ele é controlado pela BlackRock, a maior gestora de ETFs do mundo. 

O objetivo dele é replicar o índice. Isso significa que o IVVB11 vai valorizar na mesma medida do S&P 500.Além disso, ele tem exposição ao dólar. Isso significa que conforme a moeda americana se valoriza ou se desvaloriza em relação ao real, a cotação do IVVB11 sobe ou desce.

De maneira beeem simplista, suponha, por exemplo, que o S&P 500 tenha um dia negativo, com o índice caindo 1%. Se, neste mesmo dia, o dólar se valorizar 2% em relação ao real, no fim do dia a cotação do IVVB11 terá se valorizado 1%. 

Como funciona o IVVB11?

O IVVB11 compra as cotas do IVV, um ETF da BlackRock que é negociado na bolsa americana.

Assim, se você investir no IVVB11, na prática está comprando cotas do IVV. A diferença é que não precisa abrir uma conta em uma corretora norte-americana ou  fazer o câmbio do real para o dólar e, mesmo assim, terá na sua carteira um fundo que investe nas 500 maiores empresas dos EUA.

Dá uma olhada nas 15 empresas de maior participação no índice, de acordo com o seu peso no S&P500, em  2020:

  • Microsoft | 5,57%
  • Apple | 5,32%
  • Amazon | 4,05%
  • Facebook | 2,24%
  • Alphabet – Google | 1,71%
  • Alphabet – Google | 1,70%
  • Johnson & Johnson | 1,53%
  • Berkshire Hathaway Inc. Class B | 1,41%
  • Visa Inc. Class A | 1,33%
  • JPMorgan Chase & Co. | 1,2%
  • UnitedHealth Group Incorporated | 1,12%
  • Procter & Gamble Company | 1,12%
  • Intel Corporation | 1,09%
  • Mastercard Incorporated Class A | 1,08%
  • Home Depot Inc. | 1,06%

Como ter acesso ao IVVB11? 

Você vai comprar ou vender o ativo através do home broker da sua corretora. 

Por ser um fundo, tem taxa de administração?

A gestora do ETF, BlackRock, cobra 0,24% ao ano como taxa de administração do fundo. Como qualquer fundo de gestão passiva, esse valor é bem inferior ao cobrado pela indústria de fundos de gestão ativa, que costuma cobrar 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance (que não existe em um ETF).

Algumas empresas do fundo fazem distribuição de dividendos, o IVVB11 também? 

No IVVB11 não tem distribuição de dividendos, porque eles são reinvestidos automaticamente no fundo.

Qual a diferença entre IVVB11 e SPXI11?

O SPXI11 é um ETF gerido pelo Itaú e também segue o S&P 500. 

Quando falamos de ETF,  vamos levar em consideração 3 características:

  • Qual índice ele busca replicar;
  • Qual a taxa de administração;
  • Qual a liquidez do ETF;

Nesse caso, os dois ETFs replicam o S&P 500 e por isso a rentabilidade deles é quase igual. Um ativo ou outro com maior ou menor peso pode dar essa diferença de rentabilidade do gráfico abaixo. 

comparaçao ivvb11 e spxi11

Em relação a taxa de administração, atualmente a diferença é muito pouca.

O IVVB11 cobra 0,24% de taxa de administração por ano, enquanto o SPX11 tem uma taxa um levemente menor, de 0,21%

A principal diferença entre eles está na liquidez. 

A liquidez é quão rápido o dinheiro investido vem para sua mão.  No caso de renda variável é o quanto você precisa baixar o preço para vender o ativo. 

Pensa que você tem uma Ferrari e quer vender. 

Ela vale R$1.000.000… você consegue vender fácil/rápido? Não.

Você precisa dar desconto para conseguir vender. Talvez consiga vender por R$800.000,  mas nesse caso, você foi descontado 20%. Esse é o preço de negociar um ativo de baixa liquidez.

Em comparação, se você quiser vender um carro popular, tem muito mais gente disposta a comprar, o que significa que talvez você não precise distorcer o preço para conseguir o negócio. Isso é uma liquidez maior.

Para medir a liquidez de um ativo, olha-se para a média de volume negociado em um pregão. De um ano para cá, o IVVB11 tem uma média de R$ 49 milhões de negociação por dia, enquanto o SPXI11 tem cerca de R$ 4,5 milhões por dia. 

É uma diferença considerável. E como vimos quanto menor a liquidez de um ativo, mais dificuldade você terá para vendê-lo.

Comparando IVVB11 com BDRs e stocks

Eu não sei você, mas à medida que fui escrevendo o texto fiquei pensando qual seria a melhor alternativa para diversificar internacionalmente a carteira. 

Odeio ter que dizer isso, mas depende… 

Da sua estratégia, do seu perfil, do seu nível de conhecimento. Então vamos lá.

Nível de conhecimento e perfil de investidor

Quem é iniciante e tem um perfil mais conservador, mas quer entrar no mundo da renda variável, apostar em um ETF me parece ser menos arriscado, já que você não vai precisar decidir qual ação escolher e é muito diversificado. Com o tempo e conhecimento na área você poderá tentar fazer o stock picking.

Para quem já tem um nível de conhecimento maior e o perfil mais arrojado, decidir quais ações encarteirar pode ser uma boa alternativa. 

A compra dos ativos

Os ETFs e BDRs são negociados na B3. Assim, você não precisa abrir conta em corretora estrangeira e fazer conversão cambial. 

Já para comprar ações diretamente, você vai precisar abrir conta em alguma corretora dos EUA e fazer a conversão. 

Gestão da carteira

No caso do IVVB11, você vai comprar um papel e sua carteira fica exposta às 500 empresas do S&P 500.  A desvantagem é que você não consegue fazer uma gestão ativa dos seus investimentos no exterior, e escolher uma carteira diversificada que te proporcione buscar retornos mais altos que o S&P 500.

Já os BDRs e as ações você poderá decidir quais empresas terá em sua carteira. 

Atenção! BDR é diferente de ação. 

Dá uma olhada: 

BDRs são títulos brasileiros, negociados em bolsa mas que são lastreados em ações de empresas globais. Você vai comprar um título que varia de acordo com a cotação das ações dos EUA (em sua grande maioria) e tem também a taxa de câmbio do dólar para o real. 

Você investe em títulos que representam esses papéis. Metaforicamente, isso quer dizer que uma certa quantidade de ações fica “em um cofre” e quem for dono do BDR (o cofre) fica com todos os direitos atrelados a ela. 

Quer saber mais sobre BDR? Veja aqui!

Dividendos

O IVVB11 não paga dividendos, eles são reinvestidos no fundo. 

Se você investir diretamente em ações americanas e elas forem pagadoras de dividendos, você receberá dividendos. Entretanto, terá um desconto de 30% relacionado a imposto de renda. Esse imposto é retido na fonte e não é bitributado. 

Os BDRs de empresas pagadoras de dividendos, você recebe algo em torno de 65%, pois além do imposto, ainda tem a taxa de administração do originador do BDR, que é por volta de 5%. 

Deu para perceber que é possível diversificar a carteira internacionalmente de algumas formas. O IVVB11 pode ser uma alternativa, mas você deve levar em conta seu perfil, sua estratégia. 

Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário aqui!

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