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O homem mais rico do mundo em 2020

O homem mais rico da história moderna chegou ao final da vida com o equivalente a USD 340 bilhões. Inclusive a história dele é bem legal e tem um texto sobre ele aqui. 

Agora, e o homem mais rico em 2020? 

gif: qual o homem mais rico do mundo em 2020?

Você provavelmente já usou os serviços da empresa dele. 

No dia 26 de agosto deste ano sua fortuna atingiu a marca de mais de US $200 bilhões. Se levarmos em consideração a cotação do dólar hoje (R$ 5,13) ele tem mais R$ 1,02 trilhão. 

Estou falando de Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon. 

Em abril deste ano, 9 dos 10 bilionários viram sua fortuna encolher. Jeff Bezos foi a única exceção. A Amazon se beneficiou das medidas de lockdown, em particular em pequenas cidades onde opera. 

O fechamento de lojas trouxe muitas pessoas a aderirem ao maior e-commerce. A empresa é a 4ª marca mais valiosa do mundo em 2020, segundo a Forbes. 

Amazon

  • Valor: US$ 135,4 bilhões
  • Variação em um ano: 40%
  • Receita: US$ 260,5 bilhões
  • Indústria: Tecnologia

Para se ter uma ideia da dimensão da Amazon, enquanto as empresas demitiram funcionários devido à crise econômica gerada pela pandemia, a Amazon contratou entre março e abril de 2020 mais 175 mil funcionários.

Além disso, o valor das ações da empresa subiu mais de 60% esse ano. No último trimestre fiscal, a Amazon registrou US$ 96,1 bilhões em vendas (uma escalada de 37% em um comparativo com 2019). 

Por trás da Amazon: quem é Jeff Bezos?

Jeff Bezos é considerado o homem mais rico do mundo pelo terceiro ano seguido, mesmo depois do divórcio, em que sua ex mulher recebeu 36 bilhões de dólares em ações da Amazon. 

Jeff Bezos, dono da Amazon, é a primeira pessoa a alcançar fortuna de US$  200 bilhões, segundo Forbes | Tecnologia | G1

Bezos nasceu em Albuquerque em 12 de janeiro de 1964, no Novo México e cresceu em Houston, Texas.

Como a maior parte dos empreendedores, desde criança ele já tinha uma veia criativa e transformou a garagem de seus pais em um laboratório, onde montava equipamentos elétricos.

Estudou em Princeton e se formou em 1986 em engenharia elétrica e informática. Por ter sido um aluno com destaque, Bezos não demorou para se posicionar no mercado de trabalho e passou  a trabalhar em Wall Street em uma variedade de campos, desde companhias de telecomunicações e do mercado financeiro. No final de 1993,  tomou a decisão de abrir a sua própria empresa.

Nascimento da Amazon

Naquela época, a internet estava crescendo 2.300% ao ano.

Esse número saltou aos olhos de Bezos e ele pediu demissão de uma multinacional de Wall Street para empreender. 

Como sabemos, startups são uma caixinha de surpresas e a Amazon podia dar errado. Inclusive o próprio Bezos falava que a empresa tinha 70% de chance de não dar certo, mas mesmo assim entrou de cabeça.

Sua ideia era se “arrepender o mínimo possível”. 

Ele sabia que mesmo depois de velho, não se incomodaria de ter deixado Wall Street, mas não se perdoaria de perder o boom do começo da internet.

Assim, em Julho de 1994 ele abriu sua empresa na própria garagem de casa. Quem ainda não viu essa clássica foto?

Inicialmente a empresa se chamava Cadabra, mas um advogado de Bezos sugeriu que ele mudasse, porque a palavra soava muito parecida com “cadáver”. 

Ele também pensou em Relentless, que significa “implacável”, mas o nome também foi desaconselhado por alguns amigos. 

Advinha o que acontece se você digitar relentless.com no navegador?

Por fim, ele chegou ao nome Amazon. 

A inspiração foi o Rio Amazonas, considerado o maior do mundo em extensão e em fluxo de água por vazão. A ideia é que a loja também fosse a líder no que fizesse (será que deu certo? rs) 

Além disso, era importante que a empresa começasse com a letra ‘A’. 

Na época pré-Google, as empresas eram listadas em site de busca em ordem alfabética. 

Modelo de negócios

Ele e sua (ex) mulher Mackenzie decidiram vender livros pela internet e o modelo foi considerado o ideal para começar. 

Livros são fáceis de vender, possuem preço unitário baixo e sua estocagem é difícil e cara. Com isso, ele tinha vantagem para competir com as lojas de varejo físicas do mercado americano, como a Barnes & Noble.

Os pedidos eram todos online, o que já era uma grande novidade. Além disso,  apesar de manter um grande catálogo de livros, a Amazon não tinha estoque. Isso foi possível porque Bezos fez parcerias com atacadistas e distribuidoras. 

Dessa forma, se você precisasse de um livro, você poderia comprar online e receber o mais rápido possível. 

Com esses argumentos, ele convenceu seus pais a investir cerca de US$ 245 mil na sua ideia e atraiu mais US $750 mil com outros investidores.

O IPO

Em dois meses de site, Bezos e seus poucos funcionários já tinham despachado encomendas para todos os EUA e mais 45 países. 

As vendas da Amazon decolaram tão rápido que chegaram a marca de mais de US$ 20 mil por semana nos primeiros meses de operação. 

Mas não se engane com esse número, como quase todas as startups em início de operação, a empresa queimava caixa trimestre após trimestre.

Mas Para Bezos, isso não era um problema, mas parte da estratégia de criar uma gigante internacional. Ele queria crescer muito e rapidamente, e para isso era preciso investir pesado. O dinheiro viria de empréstimos e novos investidores.

Esse resultado inicial abriu as portas para um IPO em maio de 1997.

Com menos de dois anos de operação, a empresa fez sua oferta pública na Nasdaq no dia 15 de maio de 1997, a US $18 por ação. 

Mesmo não dando lucro na época, a empresa levantou US$ 54 milhões no IPO. 

A Amazon ainda ficou 14 anos deficitária, mas Bezos fez uma previsão que se mostrou acertada: aquele era apenas o começo da internet e da Amazon.

A crise do ponto com e as oportunidades

Em 1998, ano seguinte ao IPO, a Amazon começou a vender CDs e filmes, adquiriu concorrentes online no Reino Unido e na Alemanha. 

Além disso, o programa de afiliados se tornou um sucesso estrondoso, com mais de 350 mil sites parceiros processando as vendas pela Amazon em 1999, quando expandiu as operações para aceitar praticamente qualquer produto.

Em 2000, teve o estouro da bolha da internet, quando os investimentos em empresas online eram tão altos e irreais que quebraram a bolsa de Nova York e derrubaram os preços das ações. 

Muitas marcas deixaram de existir ou nunca se recuperaram, e as ações da Amazon também sofreram queda de 86 dólares para 5,44 dólares.

Mas é aí que entra a visão do empreendedor. Bezos enxergava a Amazon como uma empresa de tecnologia e não somente varejista.

Em 2002, Bezos lançou a Amazon Web Services (AWS), inicialmente uma empresa de serviço de dados e estatísticas para sites.

Ao surfar a onda da computação na nuvem, a empresa se tornou uma das principais provedoras de armazenamento virtual, atendendo a clientes como Nasa e Netflix e disputando com a Microsoft contratos multibilionários do Pentágono. Só em 2019, a AWS gerou uma receita de US $25 bilhões.

Como Jeff Bezos se tornou o homem mais rico do mundo?

O primeiro milhão de dólares de Jeff Bezos veio em maio de 1997, quando a Amazon estreou na Bolsa de Valores. Como falei antes, o IPO levantou cerca de US$ 54 milhões à época, com a promessa de explorar o mercado de venda online. 

Mas ele não mirou em apenas uma frente. Jeff Bezos também é investidor e tem uma venture capital para fazer investimentos pessoais: a Bezos Expeditions.

Através dessa venture capital, ele foi um dos primeiros acionistas do Google, adquirindo 3,3 milhões de ações por US$ 250 mil em 1998.

Bezos também possui participações na Unity Biotechnology, que quer interromper ou adiar o envelhecimento, e em outras empresas na área de tecnologia em saúde como Grail, Juno Therapeutics e ZocDoc.

Em 2018, ele ajudou a criar a Haven Healthcare, uma organização não governamental cujo objetivo é reduzir o custo dos medicamentos, feita em uma parceria da Amazon, JPMorgan Chase e a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.

Outras empresas conhecidas hoje em dia que Bezos investiu: 

  • Uber
  • Airbnb 
  • Twitter
  • TeachStreet
  • ZocDoc
  • NextDoor

Diversificação de portfólio

Atualmente, Bezos possui menos de 20% da Amazon, porém, fundou a “Blue Origin” que é uma startup de exploração e transporte espacial que rivaliza com a SpaceX.

Até o momento, a Blue Origin ainda é deficitária e financiada pessoalmente por Bezos, que vendeu mais de US $1 bilhão em ações da Amazon nos últimos anos para custear a operação.

Além disso, Jeff recentemente assumiu o controle do “The Washington Post”, mostrando seu interesse em diferentes ramos de negócios.

Lições para pensarmos

Acho que a primeira coisa que fiquei pensando enquanto escrevia é que não foi do dia para noite. 

Em uma entrevista em 2017, Jeff Bezos falou:

Eu peço a todo mundo para não pensar em períodos de dois ou três anos, e sim em períodos de cinco a sete anos. Quando alguém parabeniza a Amazon por um bom trimestre […] eu digo: ‘obrigado’. Mas o que estou pensando comigo mesmo é […] ‘esse resultado trimestral na verdade foi preparado 3 anos atrás’. Hoje, estou trabalhando num trimestre que vai acontecer em 2020, não no próximo trimestre. O próximo trimestre, para todos os fins práticos, já está feito e provavelmente já está feito há uns dois anos. Se você começa a pensar assim, isso muda como você gasta o seu tempo, como você planeja, onde você coloca sua energia, sua capacidade de antecipar pontos cegos, tudo melhora”.

Por mais que Jeff Bezos tenha conseguido seu primeiro milhão no segundo ano da empresa, ele já tinha estrada. 

Já tinha trabalhado em outras empresas, estava com 34 anos e tenho certeza que nos primeiros anos, abriu mão de muita coisa imediata. 

O Edu escreveu um texto sobre Como ficar milionário que acho que todo mundo deveria ler.  

Um spoiler: paciência, resiliência e constância são fundamentais para atingir os seus objetivos. Seja eles quais forem. 

Arriscar é preciso

Jeff Bezos falava que tinha 70% de chance de seu negócio dar errado, mas os 30% foram suficientes para ele acreditar e conseguir atingir seus objetivos. 

Calma! Não estou falando para você sair correndo pedir demissão, investir seu dinheiro na primeira alternativa que aparecer (inclusive se for daquelas com retorno muito rápido, melhor é você sair correndo). 

Mas de fato, se quisermos rentabilidades mais altas é preciso correr risco. Mas nunca risco de ruína, que é o risco de que se der errado, não tem volta (se você quer saber mais sobre isso, dá uma olhada nesse texto)

Encontrar oportunidades com fundamento

Outro dia conversando com o Edu no escritório ele me falou: as oportunidades só se mostram como oportunidades depois que elas deram certo. Por isso é preciso ficar atento aos fundamentos. 

A Amazon ficou 14 anos sem dar lucro, porque os custos e investimentos na época eram maiores do que o dinheiro que entrava, mas mesmo assim suas ações continuavam subindo, porque ela tinha potencial de ganhos futuros muito alto.  

É importante sempre olhar os fundamentos da empresa, o potencial de ganho, se o modelo de negócio é vencedor e quais são as estratégias que os gestores da empresa pretendem se guiar para fazer a empresa prosperar. 

Diversifique

Bezos investe em diversos ramos, desde tecnologia a exploração e transporte espacial, e ainda passando por mobilidade urbana, social media e jornalismo. 

Por que isso é importante? 

Sempre falamos aqui que melhor do que tentar adivinhar qual investimento vai foguetar, é montar uma carteira antifrágil que te permite navegar cenários diferentes.

E uma última questão, quando se chega ao topo é bem mais difícil de se manter no topo. Será que Bezos se mantém ainda por um tempo ou tem alguém em sua cola para tomar seu lugar de homem mais rico do mundo?

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