Saia da zona de conforto!

O brasileiro cresce ouvindo: quem quer prosperar, precisa estudar! Só que, infelizmente, a realidade ainda está longe do cenário ideal.

Segundo dados do IBGE, levantados no primeiro trimestre de 2019, mais de um terço da população brasileira (35%) em idade de trabalhar não concluiu o Ensino Fundamental. Menos da metade dos brasileiros (48%) acima de 14 anos conseguiu concluir o Ensino Médio.

E, entre a população empregada, apenas 20,7% conseguiram concluir o Ensino Superior.

O resultado disso leva a outro dado preocupante. Dos mais de 13 milhões de desempregados, 5,2 milhões estão há um ano procurando trabalho.

Aí você pergunta: o que isso tem a ver com educação financeira para investimentos?

Tudo!

Com menos emprego, menor é a circulação de dinheiro no país. Com menos grana na praça, a economia fica desaquecida. Economia desaquecida, menos atrativos para os investidores. E, com menos investimentos, menor a qualidade de vida do brasileiro.

Agora, se você faz parte dessa parcela privilegiada que teve acesso aos estudos, trabalha e está preocupado com esse círculo vicioso da economia – que além das oscilações do mercado financeiro sofre, ainda, com a instabilidade política do país – está passando da hora de começar a pensar em algo que, dificilmente, ensinaram a você em todos os seus anos de sala de aula: investir para crescer financeiramente.

Inclusive, eu escrevi um texto la no blog da ACE falando como eu consegui me demitir aos 24 anos com meus investimentos.

Poupança vale a pena?

Muito provavelmente, essa forma de investimento foi a mais indicada por seus pais e avós, durante muitos anos, pelo baixo risco de perdas. Você deposita uma quantia na conta, e, seguramente, daqui a um determinado período, estando a taxa Selic acima de 8,5% ao ano, é possível resgatar o valor depositado acrescido de 0,5% ao mês mais a taxa referencial (TR). Agora, se a Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta renderá 70% da Selic, além da TR.

Pausa para explicar esses conceitos básicos. A taxa Selic, Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é a taxa básica de juros da economia brasileira.

Escrevi um texto destrinchando ela aqui no blog.

Se, atualmente, a Selic está em 6,0%, ao colocar R$ 100 na poupança, hoje, seu dinheiro renderia 70% da Selic, ou seja, 4,20% ao ano, mais a TR. Como desde setembro de 2017, a TR está calculada em 0%, significa que, no fim das contas, seu dinheiro renderia, ao longo de todo um ano, apenas R$ 4,20.

Será que a poupança vale a pena, mesmo com o baixo risco?

Investir em poupança nao vale

Quando você começa a pensar nisso você chega a mesma conclusão de todos os investidores: Não vale a pena!

Perfis de investidores

Existem várias opções de investimentos. Para escolher o melhor para você, é preciso conhecer, primeiro, o seu perfil de investidor.

Tudo vai depender da condição financeira e a disposição de se submeter a riscos.

O perfil conservador preza, em primeiro lugar, pela segurança. Mesmo que, para isso, a rentabilidade seja menor.

O moderado, como o próprio nome diz, busca um equilíbrio entre a zona segura de conforto e o nível de rentabilidade.

Já o perfil arrojado não se prende muito a aplicações mais seguras. Para ele, o mais importante é fazer o investimento render o máximo possível, mesmo que tenha que correr grandes riscos.

Para cada perfil, diferentes investimentos

Os Títulos Públicos e Fundos de Investimento de Curto Prazo são boas opções para você que é mais conservador, já que oferecem segurança, apesar de possibilitarem rentabilidade maior que a poupança.

Já as aplicações em Fundos Cambiais, ações e debêntures podem ser mais atrativas para os investidores moderados ou arrojados, dependendo da política de investimentos e do risco do emissor do título.

Para os ainda mais arrojados, existem, ainda, os Fundos Multimercado, que oferecem mais liberdade de composição de suas carteiras – ativos do investidor – e, com isso, grande chance de mais rentabilidade, apesar de maior a exposição ao risco.

Títulos Públicos

Investir em Títulos Públicos é quase que fazer um empréstimo para a União.

O governo federal usa seu dinheiro para o pagamento de dívidas e obrigações orçamentárias e, em troca, gera determinada rentabilidade para você.

São vários tipos de títulos públicos e, para adquiri-los, o investidor conta, hoje, com o serviço do Tesouro Direto. Por este canal, é possível comprar os títulos pela internet. Mas, para isso, você precisa morar no Brasil, possuir CPF e estar cadastrado em um banco autorizado.

Escrevi aqui no blog, o melhor guia de títulos públicos da internet.

Fundos de Curto Prazo

O investidor que opta por este tipo de aplicação financeira investe em títulos públicos federais ou privados, de baixo risco de crédito, com prazo máximo de 375 dias.

O que confere ao investimento um alto índice de liquidez.

A rentabilidade desse tipo de aplicação está condicionada à variação das taxas Selic – que você já conhece – e CDI, que são os Certificados de Depósito Interbancário.

Os CDIs são títulos negociados entre instituições financeiras para atingir a meta diária, estabelecida pelo Banco Central, de encerrar o expediente com saldo positivo. Se, por exemplo, um banco fechar o caixa com mais valores de saque do que de depósito, ficando no negativo, a instituição recorre ao CDI para equilibrar as contas.

E é exatamente a média de juros praticados pelos certificados ao longo de um dia que vai resultar na taxa CDI. Índice que, inclusive, vai interferir nos rendimentos da maior parte dos investimentos.

Fundos Cambiais

Os Fundos Cambiais estão relacionados a ativos de moedas estrangeiras. Os investidores que optam por esse tipo de aplicação, geralmente, têm uma das duas intenções a seguir: fugir da oscilação cambial, ou, por outro lado, justamente lucrar mais com a possibilidade de valorização de determinada moeda.

São inúmeras as possibilidades de investimento inicial nesse tipo de fundo, o que atrai investidores de níveis diversos. E o resgate, no caso do investidor aqui no Brasil, é feito em real, independentemente da moeda de origem dos ativos.

Sabe quando pode ser uma boa ideia investir em fundo cambial? Quando você tem uma viagem agendada para os Estados Unidos e quer proteger o poder de compra de seu dinheiro até la.

Fundos de Renda Fixa

O Fundo de Renda Fixa tem um percentual predeterminado de investimentos e uma carteira com ativos composta, geralmente, por 80% em renda fixa, e o restante, 20%, nos chamados derivativos.

Estes últimos são aplicações financeiras variáveis que podem ser a alegria dos investidores em épocas de baixa da renda fixa, ao passo que também podem trazer incertezas, caso a variável oscile negativamente. Os ativos de renda fixa podem ser títulos públicos, debêntures, CBDs e LCI/LCA.

Títulos públicos, você já sabe o que são. Debêntures são títulos de dívidas negociados junto às empresas, como se fosse um empréstimo do investidor, com rendimentos já estabelecidos no momento da negociação.

Tanto o CDB, Certificado de Depósito Bancário, quando a LCI, Letra de Crédito Imobiliária, e a LCA, Letra de Crédito do Agronegócio, são títulos de crédito emitidos por bancos. No caso do CDB, os recursos são voltados para as próprias instituições bancárias.

O objetivo da LCI é o de levantar capital para investimentos no mercado imobiliário. E, no caso da LCA, os fundos são direcionados para a área do agronegócio.

Ao contrário de outros fundos, a carteira de ativos no Fundo de Renda Fixa é gerida por uma Gestora que possibilita ao investidor adquirir, ao mesmo tempo, diversos títulos públicos ou privados, sem a necessidade de acessá-los separadamente.

Geralmente influenciadas por taxas de juros, como a Selic, e índices de inflação, essas aplicações são mais previsíveis. Mas, claro, estão sujeitas à saúde financeira das instituições emissoras dos títulos. Diferentemente dos fundos de curto prazo, o vencimento médio da carteira – tempo que leva até que a aplicação volte para o investidor – está acima de um ano. O risco é maior, mas a rentabilidade também.

Ações na Bolsa de Valores

Investir em ações

Já ouviu alguém dizer que comprou uma ação na Bolsa e se tornou sócio de uma grande empresa? Pode parecer estranho, mas essa é a verdade nua e crua.

Ações são títulos de empresas que, quando adquiridos, dão ao comprador o direito de usufruir de parte dos lucros dessas organizações. É uma aplicação financeira que pode representar muito risco, já que o destino das organizações depende de uma série de fatores econômicos e políticos, mas também alto índice de rentabilidade.

Por isso, credibilidade, autoridade, experiência e potencial de crescimento são alguns dos quesitos mais relevantes na hora de escolher a empresa com a qual quer se associar. Feito isso, contrate uma boa corretora, compreenda bem o momento econômico e tenha paciência e sangue frio para lidar com as instabilidades de mercado.

Escrevi um texto que aprofunda um pouco a lógica por trás de escolha de ações aqui.

Bem-vindo ao mundo dos investimentos!

Agora que você já analisou seu perfil de investidor e conhece um pouco sobre a diversidade de possibilidades para investir, mãos à obra! O universo da educação financeira é imenso e cheio de desafios, mas com estudo, prática e experiência você vai atingir os seus objetivos.