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Olimpíadas: o lado econômico que não te contaram

E o que isso tem a ver com investimentos? 

Falta um pouco mais de um mês para as Olimpíadas de Tóquio 2021. Não sei você, mas eu curto muito esportes. Do ponto de vista de torcedora, a celebração das Olimpíadas é animal. 

Imagina, deve ser muita emoção para um atleta que treinou a vida toda chegar lá. Com medalha então deve ser melhor ainda.

vencedor das olimpiadas

Sempre fico imaginando tudo que eles tiveram de passar, inclusive antes de entrar no lado econômico da história, eu descobri recentemente que um atleta para participar das olimpíadas tem que bater um benchmark para participar: é o chamado índice olímpico. 

Cada modalidade tem o seu próprio índice. No caso da ginástica é participar de competições específicas e atingir a nota de corte. Já o índice da prova de 100 metros rasos é de 10,05 segundos para homem e 11,15 segundos para mulher. No basquete 3×3 considera-se o rankeamento da federação internacional, que é ganhar pontos através das competições ao longo do período pré-olímpico. 

É realmente muito emocionante para quem participa. 

Primeiro ponto em comum com os investimentos: bater benchmark é importante até nos esportes, mas esse não é meu ponto. 

Se pararmos para pensar do ponto de vista econômico para a cidade que irá sediar as Olimpíadas, talvez não faça tanto sentido.  

Entenda.

Do ponto de vista econômico… o outro lado

Falei da minha opinião como torcedora, mas se pararmos para pensar do ponto de vista econômico, sediar as Olimpíadas pode ser um grande rombo. 

As cidades competem para realizarem Olimpíadas de verão e os Jogos de Inverno e quase sempre mergulham suas cidades e, às vezes, até seus países em enormes dívidas e insolvência.

Países entrando em dívidas por conta das olimpíadas

Por quê?

No final das contas, acaba-se gastando o dobro ou mais do que o estimado inicialmente para realização das Olimpíadas.

Os políticos representantes das cidades dizem que o dinheiro a ser gasto em novas instalações estimulará a economia local nas próximas décadas.

Mas no final das contas, são realizadas obras em infra estruturas que não são essenciais. Além disso, das receitas geradas, pelo menos metade vai para o Comitê Olímpico Internacional (COI).

As receitas geradas provém da venda de ingressos, patrocínios, emissoras de televisão querendo transmitir os jogos com exclusividade, entre outros tantos. 

Para você ter noção, o economista esportivo Andrew Zimbalist diz que uma típica Olimpíada gera até US$6 bilhões em receita. 

Será que esse valor não seria suficiente para realização das Olimpíadas sem grandes prejuízos?

Para entender, separei aqui 5 cidades sedes que extrapolaram o orçamento. 

5 cidades sedes e os números: 

Atenas, Grécia – Olimpíadas de 2004 

Os custos para a realização das Olimpíadas, desde construção de estádios, foi de US$16 bi. Isso significou 10 vezes a mais do que estava estimado inicialmente no orçamento.

Em 2010, 6 anos depois dos jogos, metade do que foi construído para o evento estava subutilizado, vazio ou literalmente caindo aos pedaços 

Sochi, Rússia – Olimpíadas de inverno de 2014

Foi um dos casos que mais me impactou quando vi. O valor para realização dos jogos foi de US$50 bilhões. Isso foi o equivalente ao custo de todas as edições anteriores de jogos de inverno somados. 

Além disso, ainda teve uma grande polêmica.

Boris Nemtsov documentou que US$21 bi foram para fraudes e propinas para empresários amigos de Vladimir Putin. Nemtsov foi assassinado mais tarde.

Rio de Janeiro, Brasil – Olimpíadas de 2016

Em 2016 aconteceu um surto de uma doença não vista antes no Rio de Janeiro: zika vírus. O vírus era transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes Aegypt. Quem fosse picado e contaminado, tinha sintomas de febre, vermelhidão na pele. O maior risco era em grávidas, pois os filhos poderiam nascer com microcefalia, mas além disso, o perigo era em relação a baixa de plaquetas no sangue, o que poderia ocasionar internações. 

Zika Vírus somado a violência da cidade que virou foco mundial de notícias (amo o Rio, mas não podemos tapar o sol com a peneira), as vendas de ingresso foram bem mais baixas. 

Para realização do evento, os custos chegaram a US$20 bi, ou seja, US$7 bi a mais do estimado. 

Só o Maracanã ganhou uma reforma que custou US$500 mi. Ficou bonito? Ficou! Mas quem consegue arcar com os gastos de manter uma estrutura daquelas?  Além disso, alguns torcedores chegaram a vandalizar o estádio arrancando as cadeiras. Triste realidade.   

Pequim, China – Olimpíadas de 2008

Na época da realização dos jogos em Pequim, o orçamento bateu recorde de custos. Foi  US$42 bi. 

Além disso, aconteceram diversas polêmicas. A Anistia Internacional acusou o governo chinês de usar trabalho forçado para construir muitas das instalações. O COI não se importou com os custos estratosféricos e ainda concedeu a Pequim os Jogos de Inverno de 2022. Aguardaremos com acontecerá;

Montreal, Canadá – Olimpíadas de 1976 

O prefeito de Montreal na época, chegou a falar que as Olimpíadas “não podem ter um déficit maior do que um homem pode ter um filho”. 

O projeto custou 134 milhões e Montreal levou 30 anos para pagar sua dívida apenas pelo estádio principal construído para os Jogos de Verão de 1976.  

Mas o que isso tem a ver com investimentos? 

Fiquei pensando em uma conversa que tive uma vez com um amigo. Ele me falou que tinha uma ação em carteira porque ele gostava muito da empresa e dos serviços que ela oferecia, mas não sabia como eram seus indicadores financeiros, quais planos futuros.

Em investimentos, achar uma empresa legal pode não trazer a rentabilidade que você espera.

Em relação as Olimpíadas, ser a cidade sede pode ser legal, mas qual retorno vai trazer?

Existem casos como os Jogos de Barcelona 1992 e Sydney 2000 que tiveram sucesso, mas exigiu-se um planejamento rigoroso para que os impactos pretendidos fossem, de fato, atingidos.

No final das contas, é importante saber como a gestão é feita. Seja sediando as Olimpíadas, seja avaliando as empresas e ativos que se vai investir.

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