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Por que o Brasil pode emergir mais rápido do que os outros

O Paulo Guedes falou numa live com a XP sobre uma coisa interessante. Os governos estrangeiros estavam preocupados com softlanding, ou seja, numa forma de fazer um pouso suave da economia. Enquanto isso, o Brasil estava no começo do ciclo, ou seja, enquanto o mundo estava numa direção descendente no ciclo econômico, o Brasil estava na ascendente.

Inclusive, recomendo fortemente que você assista o vídeo da live.

O único problema é que ele tem 2 horas. Como eu sei que o tempo de todos é escasso, coloquei no final do texto um resumo dos principais pontos abordados.

Por isso, ele crê que o Brasil volta a crescer rápido pós coronavirus.

Não entendeu nada?

Fica tranquilo! Estou aqui para explicar.

Para compreender, precisamos falar do conceito de ciclo econômico.

Vou falar mais uma vez do famoso video do Ray Dalio que explica como a economia funciona. Acho que é a terceira vez esse mês que eu comento sobre esse vídeo. Caso você não tenha visto, recomendo que pare o que está fazendo e veja agora!

Os ciclos da economia

Na economia, existem ciclos. Às vezes ela está subindo e às vezes descendo.

Chamamos o período em que a economia está a todo vapor de Boom. No mercado financeiro, chamamos de Bull market.

No final de um boom, vem uma recessão. Esse período é chamado de bust, e no mercado de capitais, chamamos de bear market.

Se você olhar o gráfico de PIB dos países, vai ver que eles geralmente crescem até que em dado momento dão uma mergulhada para baixo e depois voltam a crescer.

Pibs mundiais seguem ciclos

Se você olhar para os gráficos das bolsas dos países, vai perceber o mesmo comportamento.

São booms e busts.

Bolsas mundiais seguem ciclo

Se você tem vontade de entender melhor como funcionam e porque esses ciclos existem, recomendo que assista o video do Ray Dalio, que ele explica em 30 minutos tudo o que você quer saber sobre isso.

Tá, mas por que eu estou falando isso tudo?

Acontece que o mundo inteiro vem num boom há um tempo. Desde a crise de 2008, os países veem seus PIBs crescendo.

E como você sabe, a economia funciona por meio de ciclos. Mesmo antes de coronavírus, já se falava das economias esfriarem por causa de um eventual bust.

Claro que ninguém conseguia prever quando isso aconteceria. O coronavírus foi o estopim para essa recessão. Mas se não fosse o coronavírus, seria outro estopim.

O Brasil no ínicio do ciclo

Acontece que o Brasil, por uma série de motivos políticos, sempre foi “o país do futuro”. Quem não lembra a capa da The Economist perguntando se o Brasil ia foguetar e alguns anos mais tarde perguntando se o Brasil estava perdido.

Capa the economist

Por isso, a gente acabou não surfando essa onda que o mundo inteiro surfou.

Mas o que que isso significa?

Significa que pós coronavírus, a gente pode estar no início/meio de um boom enquanto o resto do mundo está no bust. Isso significa que podemos entrar num ciclo de crescimento, desde que façamos o nosso dever de casa quem não vem sendo feito nos últimos anos.

Onde cada país está no ciclo

Se estamos crescendo num momento que o resto do mundo está numa recessão, o dinheiro do investidor estrangeiro começa a escoar para o Brasil e contribui para acelerar ainda mais esse crescimento.

Ou seja, apesar de tudo, podemos acabar nos recuperando mais rápido do que o resto do mundo dessa crise. É o que o ministro Paulo Guedes acredita. E você? Como acha que vai ser esse cenário pós crise para o Brasil?

Se quiser saber mais do que foi falado no webinar com Paulo Guedes, segue um resumo.

Resumo do webinar do Guedes:

Principais pontos:

  • Houve um esforço enorme em mostrar que equipe econômica está fazendo tudo o que é necessário para este momento de crise, sempre com cuidado para não criar gastos permanentes.
  • Fala convicta de que não há discussão alguma sobre sua saída e que relação com Congresso continua boa. “Sair? Conversa fiada total! Não vou sair. Estamos combatendo um meteoro. Como que eu vou deixar o país nesse momento?”
  • Algumas das empresas citadas: Vale e Ambev doando testes de coronavírus, Stone e PagSeguro serão canal para as políticas para pequeno e microempreendedor, Banco do Brasil tem acionistas minoritários e não pode fazer o que Caixa e BNDES fazem, Azul e outras aéreas precisam de ponte de liquidez neste momento, foi o que Warren Buffet fez com Goldman Sachs em 2008

Notas detalhadas:

  • Impacto será forte, mas no Brasil estamos em posições diferentes do ciclo dos outros países. Mundo era um avião pousando, e COVID-19 acelerou isso. Nós não, nós estávamos em aceleração econômica, 1Q20 estava girando a quase 3% de crescimento de PIB (arrecadação 20% acima do esperado) quando chegou o vírus.
  • Nossa primeira reação foi infraconstitucional. Começamos pela liberação de compulsório. Atacamos rapidamente setor de saúde e outros setores-chave.
  • Ia ser um trimestre excepcional com recuperação econômica e reformas caminhando no Congresso, tudo já estava combinado e negociado.
  • “Vimos a seriedade da crise e trouxemos a discussão no dia da pauta-bomba do BPC. Naquele dia, Mandetta nos explicou a gravidade que a crise teria. “
  • Primeiras medidas foram essas: liberação de compulsório para bancos proverem liquidez às empresas e liberação de recursos ao Mandetta. “Injetamos muitos recursos logo nesse primeiro momento. “
  • Por outro lado, não podemos nos esquecer da Lei de Responsabilidade Fiscal, não podemos criar despesas novas. O que fizemos foi postergação de impostos e antecipação abono salarial e benefícios a aposentados. Tudo infraconstitucional.
  • Todas as reformas estavam caminhando muito bem, todos os relatores muito animados. Clima era interessante. Não sem fricção política, como de costume, mas caminhando. Em meio a isso, fomos atingidos por essa onda de fora.
  • Liberamos compulsório (R$ 200 bi), empréstimos de BNDES e Caixa (R$ 150 bi) e fizemos diferimentos/antecipações (R$150 bi). No total, tudo isso significa R$ 500 bi de liquidez a mais na economia. Além disso, auxílio a informais (R$ 50 bi) e empréstimos de folha de pagamento (R$ 50 bi).
  • Fila do Bolsa Família cresce em ano eleitoral. Neste ambiente, foi decidido colocar todo mundo pra dentro e depois vamos checar quem é fraude. No passado era o contrário: demorávamos a aprovar.
  • Ninguém é contra transferência de renda para os mais frágeis, a luta é contra benefícios perversos. Os trabalhadores, autônomos foram pegos de surpresa.
  • 38 milhões de brasileiros terão direito a R$600/mês.
  • O governo vai ajudar as pequenas empresas. “Vamos complementar parcela de salário que empresas não puderem pagar.”
  • Além disso, estão fazendo empréstimo na folha salarial. Isso evita o empoçamento de liquidez que estava acontecendo nos bancos após liberação de compulsório.
  • Teremos um déficit extraordinário, mas não tem problema. Não podemos deixar os brasileiros para trás nesse momento.
  • O pacote atual é de cerca de R$ 750 bi, e ele pode aumentar se for necessário.
  • Não podemos esquecer nossas conquistas. Corrigimos gasto público, baixamos juros, fizemos reforma da previdência, desalavancamos banco públicos. Tudo isso destrava investimentos.
  • No fim, todo mundo vai entender que gastamos muito, mas fizemos o que era necessário. Nós vamos pagar isso, não vamos deixar isso para gerações futuras. Não haverá mais endividamento em bola de neve.
  • Vai ser gasto 4,8-5,0% do PIB esse ano.
  • Equipe está focada, presidente está focado. Estamos em uma democracia. Perfeitamente normal que presidente faça um alerta. Preocupação legítima. Passada a primeira onda da saúde, pode vir a segunda, econômica. Em democracia, todo mundo tem direito a opinião.
  • Nosso Banco Central não pode interagir com setor real, só com bancos. Isso é um problema e será resolvido. O problema atual é esse, liberamos liquidez e ficou empoçado nos bancos.
  • Tem 10-15 decisões relevantes a serem tomadas todo o dia. Exemplo: Mandetta pede pra bloquear exportação de máscara, 6 dias temos um problema diplomático com a Itália porque não mandamos mais máscara.
  • “Reclamam que eu não estou em Brasília, mas no Rio eu consigo fazer reunião por telefone, videoconferência. Eu morava em um hotel em Brasília. Recebi ligação dizendo que hotel seria fechado. Eu fui despejado! Tinha teste negativo do vírus, e vim pro Rio. “
  • “Sair? Conversa fiada total! Não vou sair. Estamos combatendo um meteoro. Como que eu vou deixar o país nesse momento? “
  • “Eu passei a aparecer menos porque estou trabalhando muito, 24 horas por dia. Tenho que escolher: ou faço reformas ou apareço. Quem anuncia é Roberto Campos, Pedro Guimarães, Solange Vieira. Eu estou trabalhando com todos. “
  • Nenhum brasileiro vai ficar para trás. É um gasto grande, mas é necessário.
  • Temos interagido também com o setor real. Montamos 12 grupos de monitoramento e escutamos 190 entidades, das quais 103 enviaram pleitos, média de 7 pedidos cada um. Entidades representando companhias aéreas, bares e restaurantes etc. Analisamos esses 720 pedidos e separamos em 4 categorias: trabalhista, tributária, regulatória e disponibilidade de crédito. Estamos analisando tudo.
  • Essas empresas de maquininha como PagSeguro e Stone estão ajudando os pequenos empreendedores e pequenas empresas, vão nos ajudar também. Estamos discutindo isso.
  • Vamos ajudar quem mantem emprego. É a defesa da saúde e do emprego do brasileiro.
  • Ponto de estrangulamento será os ventiladores pulmonares. Há 4 produtores no Brasil. Produzíamos 250/semana no Brasil. Passamos para 1000, mas precisamos de 1400/semana. Não é muito simples produzir. Nos EUA, GM prometeu produzir, depois viu que não conseguiria e Trump acabou tuitando contra a GM.
  • Precisamos escalabilizar os testes. Se formos passar de isolamento horizontal para vertical mais para frente, isso será necessário.
  • Empresas estão ajudando. Vale importou testes e testou funcionários. Ambev anunciou que vai comprar 1 milhão de testes, usar 70 mil e doar o resto. XP poderia comprar testes também e nos ajudar.
  • Calamidade pública é caso agudo de emergência fiscal. É temporário. Não podemos aprovar nenhuma medida permanente.
  • Temos que destravar investimento. Em infraestrutura, saneamento, privatizações, cabotagem. Vamos dar um exemplo para o mundo.
  • Temos democracia sólida. Muito barulho, discussão, o que é natural. Conseguimos aprovar reforma da previdência.
  • Estamos em isolamento para conter a primeira onda, da saúde; mas não podemos esquecer da segunda onda. Daqui 4-5 meses, com reformas, juro baixo e câmbio mais alto; vamos dar exemplo de retomada para o mundo. Brasil está apontado para cima.
  • Microempresário que interage com maquininha, vai ter que contactar pessoal da maquininha. Quem interage com banco, vai continuar assim. Mensagem ao empresário é: “não demita”.
  • Salário de servidor público subiu acima da inflação nos últimos 17 anos. Conversávamos sobre como travar isso daqui pra frente. Demoramos muito, a ponto de chegar demanda da rua para redução de salário do funcionalismo público. Isso está sendo discutido. Existe também discussão de tributar mais as empresas grandes.
  • Não me atraem essas medidas deflacionárias. Não acho que é momento de fazer isso. Acho mais construtivo ao país travar reajuste do funcionalismo público. Não podemos quebrar as duas pernas das grandes empresas.
  • No início, ninguém tem dúvida que o isolamento é necessário. Mas é preciso encontrar um ponto ótimo para evitar colapso econômico. Eu não me arrisco em assuntos de saúde. Não há entendimento entre ministérios sobre duração do isolamento. Não entendo de saúde, mas no campo econômico, precisamos:
    (i) manter safra agrícola
    (ii) manter supermercados e farmácias funcionando.

    Se isso for feito podemos segurar o isolamento um pouco mais. Mas sobrevida econômica com lockdown total é curta. Não há consenso ainda. Saúde fala em necessidade de 3 meses; equipe econômica acha que empresas não sobrevivem mais de 2 meses. Precisamos discutir.
  • BNDES e Caixa são 100% nossos, temos mais flexibilidade. Banco do Brasil tem acionista minoritário, é diferente.
  • Precisamos dar uma ponte de liquidez para companhias aéreas como Azul. Warren Buffet fez isso com Goldman Sachs na crise de 2008.
  • Vamos colocar dinheiro do Tesouro no crédito, mas bancos tem que ter skin in the game, risk-sharing.
  • Tenho certeza absoluta de que vamos superar essa crise e sair melhores disso. Cada um de nós tem que ajudar.
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