O coronavírus chegou de vez no Brasil. O primeiro caso confirmado no nosso país, aconteceu no dia 25 de fevereiro. 

Inclusive, se você quiser acompanhar a situação do coronavírus, tem um dashboard que mostra a posição atualizada dos casos no mundo. Confira aqui.

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No dia 11 de março, a OMS declarou o COVID-19 como pandemia e no mesmo dia à noite, o presidente Donald Trump anunciou medidas de prevenção e suspendeu os voos de origem da Europa por 30 dias. 

Com todos esses acontecimentos, o mercado acaba sofrendo uma alta volatilidade. Quem acompanha os investimentos, vem percebido o impacto disso e resolvi escrever esse texto sobre como o coronavírus afeta a bolsa de valores.

Por que isso acontece?

Primeiro, vamos entender como tudo isso começou. 

Em dezembro de 2019, a China começou a enfrentar um vírus que provoca sintomas até então desconhecidos. Os casos começaram a aumentar de forma muito acelerada. 

Apesar de haver taxa de mortalidade, a principal preocupação é a capacidade de transmissão desse novo vírus, que é muito alta. 

Por que isso importa?

Vamos lá… com aumento de pessoas infectadas, a probabilidade de ter casos mais complicados aumenta. 

Com casos mais complicados, os hospitais fiquem sobrecarregados e não tem condições de atender a todos. Não foi a toa que a China construiu hospitais tão rapidamente, lembra?

Além da construção dos hospitais, que nem sempre é possível fazer, as autoridades optaram por medidas preventivas para contenção da transmissão do vírus, como o auto isolamento, fechamento de fronteiras, suspensão de atividades comerciais, entre outros. 

Outro ponto é que a China é a segunda maior economia do mundo. É a partir dela que saem produtos e insumos para o resto do planeta. Além disso, são os maiores compradores de matéria prima como soja, minério de ferro. 

Com as fronteiras fechadas, o que acontece é que ela compra e vende menos e impacta em toda cadeia de suprimentos. 

Se a segunda maior economia do mundo está enfrentando dificuldades, existe o risco de empresas pararem de funcionar por algum tempo, o que já está acontecendo.

Isso acarreta em algumas consequências:

  • Pessoas que estão infectadas e apresentam os sintomas, ficam impossibilitadas de produzir. 
  • Empresas optam pelo home office e consomem menos energia
  • Com o fechamento de fronteira o número de voos de aviões são reduzidos, bem como as importações e exportações.
  • O fechamento de estabelecimentos comerciais acarreta em menos receita, consequentemente menos lucro. Algumas empresas podem ser forçadas inclusive a diminuir o quadro de funcionários.

Somado a tudo isso, ainda temos a questão do petróleo: 

Os preços do petróleo recuaram abaixo da marca de US$ 30 por barril na segunda-feira 16/03. A campanha de isolamento, faz com que o consumo de petróleo diminua. 

Além disso, Arábia Saudita e Rússia não chegaram ainda em um acordo em relação a produção e oferta e estão em uma guerra de preços. 

E o que a bolsa de valores tem a ver com coronavírus? 

Já deu para notar que nesse primeiro momento, a expectativa é de desaceleração da economia e podemos entrar em uma recessão mundial. Isso pode afetar receitas, consequentemente lucros e distribuição de dividendos aos acionistas. 

Em grande parte, o investidor não gosta de incerteza e acaba procurando investimentos menos arriscados em momentos de crise como a que estamos vivendo. 

Algumas pessoas ficam receosas e, na dúvida, alguns investidores preferem vender suas ações e sair da bolsa até ela dar uma acalmada. 

Bom, toda vez que alguém quer vender, precisa ter alguém querendo comprar. 

Se há uma demanda maior de papéis do que oferta, quem está comprando consegue pechinchar e pagar preço mais baixo pelo papel, isso acaba derrubando os preços das ações.

Consequentemente, acontece o efeito manada: 

O preço está caindo, o investidor vende para não perder mais e isso faz com que o mercado caia mais.

A bolsa de valores não é como a renda fixa. Na bolsa, a renda é variável e está sempre sujeita a oscilações causadas por fatores externos, nesse caso o coronavírus está afetando a bolsa de valores.

Enquanto ela está subindo, como estava até fevereiro, e isso faz os investidores ficarem cada vez mais confiantes e muitas vezes se exporem mais do que deveriam em renda variável porque está rendendo muito dinheiro.

Muita gente esquece que também existe a possibilidade da bolsa variar para baixo. Por isso, é necessário uma análise cuidadosa, considerando os riscos, antes da compra.

Existe luz no fim do túnel?

Quando todo mundo perde é muito ruim, mas isso significa que não foi só você que perdeu. Então a primeira coisa a se fazer nesses momentos é ter calma. 

Se você optar por vender mesmo assim seus papéis, entenda que pode perder dinheiro dependendo do preço que pagou nele.

Essa tomada de decisão vai depender do seu perfil de investidor, da sua sensibilidade ao risco, da necessidade de liquidez e da paciência. 

No gráfico a seguir, vemos que, em outras situações de emergência global, o mercado de ações ficou em baixa nos primeiros momentos dos surtos. Há uma recuperação depois de alguns meses. 

Não é possível prever o que vai acontecer nos próximos meses, mas ter uma carteira diversificada ajuda bastante nesses momentos de crise. 

O mais importante nesse momento é acompanhar de perto seus investimentos para tomar as melhores decisões. 

Não esqueça de lavar as mãos e ficar em casa, todo time do Real Valor está operando de home office.