Muito tem se falado sobre a reforma da previdência ultimamente. Uns são a favor, outros são contra. Uns dizem que sai esse ano, outros dizem que não.

Geralmente vemos reflexos nos mercados de acordo com essas notícias: quando a reforma parece mais certa, a bolsa sobe e o dólar cai. Quando a reforma parece menos concreta, acontece o inverso.

Qual a lógica desses movimentos?

Em 2018, o governo registrou um déficit primário de R$120,6 bilhões. Isso significa que o balanço entre receitas e despesas foi 120 bilhões de reais negativos. A principal componente desse número é justamente a previdência social. O mais assustador disso tudo é que os gastos crescem mais rápido do que as receitas, porque a expectativa de vida vem aumentando. Isso faz com que esse cenário só tenda a piorar com os anos.

A reforma da previdência visa conseguir frear esse número crescente e é um dos trunfos do governo para conseguir equilibrar as contas do país.

É esperada que a proposta apresentada consiga trazer uma economia de até R$ 1 trilhão em 10 anos. E é ai que entra o otimismo do mercado. O resultado esperado da redução dessa despesa é benéfico para o mercado em geral:

Confiança de investidores estrangeiros

O investidor de fora acabou saindo da bolsa brasileira nos últimos anos por causa das quedas e de volatilidade. A reforma da previdência é um driver que traz mais confiança para os estrangeiros investirem no Brasil.

Com esse fluxo estrangeiro, é natural que o Ibovespa suba devido a pressão compradora e que o dólar caia devido a quantidade de dólar adentrando o país.

Diminuição Taxa de Juros

Se o governo gasta menos, ele precisa captar menos, então ele consegue captar a taxas menores. Isso significa diminuição de taxa de juros.

Este é outro driver que tende a impulsionar o Ibovespa. Isso acontece porque com a SELIC diminuindo, a rentabilidade de títulos de renda fixa também diminuem. Isso acaba levando um fluxo comprador para a bolsa, em busca de rentabilidades mais altas.

Menos impostos

Com menos despesas, o governo também pode cobrar menos impostos. A consequência imediata é que as empresas tendem a prosperar porque passam a gastar menos.

Se as empresas são beneficiadas, então os investidores também são.

Conclusão

Em linhas gerais, a reforma da previdência reduz gastos e deixa o Brasil menos volátil e mais preparado para o crescimento. Por isso, quando parece que a reforma está próxima, os investidores ficam otimistas e compram bolsa.