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Por que somos iludidos pelo acaso

O acaso não segue nenhuma ordem ou regra. Um dado é aleatório. Quando você joga um dado na mesa, você não sabe qual vai ser o número que vai ficar para cima. E não importa quantas vezes você jogue, você não consegue identificar um padrão nos números. Justamente por ser aleatório.

Dados são aleatórios

O grande problema é que nós seres humanos não gostamos de aleatoriedade. Gostamos de padrões. Por isso, muitas vezes atribuímos padrões a coisas que na verdade não tem.

Uma pessoa jogando dados a tarde inteira pode acabar vendo algum tipo de padrão nos números. Mas a verdade é que não existe. Esse aparente padrão é o nosso cérebro querendo criar padrões onde não existe.

O ser humano não se dá bem com o acaso

Nas imagens abaixo, uma foi criada de forma aleatória. A outra não. Qual você diria que é aleatória?

Distribuições aleatórias

A da direita é a aleatória.

Quando Steve Jobs criou o Ipod, ele criou a funcionalidade “shuffle” que fazia a ordem das músicas ser aleatória.

Como tudo aleatório, existe a possibilidade de tocar 10 músicas do mesmo autor de forma consecutiva. Pode ser pouco provável, mas essa possibilidade existe.

Só que quando você está ouvindo seu ipod no shuffle e ouve 10 músicas seguidas do mesmo artista, você começa a achar que aquilo não é aleatório.

A Apple recebeu muitas reclamações pelo fato de seu shuffle aleatório não ser aleatório (embora na verdade fosse).

A Apple resolveu esse problema criando regras para o shuffle ter menos chances de tocar músicas do mesmo artista de forma seguida. Ou seja, a Apple tornou o seu shuffle menos aleatório para que ele pudesse parecer mais aleatório.

Percebe como a gente não se dá muito bem com o aleatório?

O case do investidor sortudo

Vamos supor um cenário hipotético para entendermos a importância da aleatoriedade no mercado financeiro.

Digamos que o mercado é 100% aleatório (para simplificar o exemplo), fazendo com que no final de um ano, a probabilidade de um investidor ter lucro é 50% e a probabilidade de prejuízo é 50%.

Acaso no mercado financeiro

Qual é a chance de um investidor conseguir ter lucro em 20 anos consecutivos só por sorte? Sem dúvidas é pequena. A conta é 0,5^20. Ou, se preferir, 0,00009537%.

Mas tem uma coisa: essa é a probabilidade de uma pessoa específica conseguir esse feito. Se levarmos em consideração o numero de investidores no mundo, a coisa muda de figura.

É como uma loteria. É difícil ganhar na loteria, mas isso não significa que ninguém ganha. Se você tiver gente suficiente apostando, probabilisticamente se torna fácil existir um ganhador.

Nos EUA em 2016, existiam 12,5 milhões de investidores. Se você colocar esses 12,5 milhões para investir nessa situação hipotética, é esperado que 12 pessoas consigam ter lucro 20 anos seguidos.

Essas pessoas escreveriam livros sobre como suas estratégias funcionam, dariam cursos, seriam gurus financeiros. Sendo que sabemos que aquilo foi obra 100% do acaso.

Case mundo real

No mundo real não é 100% acaso, mas não se engane: o acaso tem participação.

É claro que existem estratégias mais vencedoras que outras ao longo do tempo, mas o mercado é muito suscetível à aleatoriedade. E nós, seres humanos, tentamos achar padrões onde às vezes não tem.

É claro que quando olhamos para um índice de ações historicamente ele costuma ter um viés de subida. Mas quando damos zoom as coisas começam a ficar mais e mais aleatórias.

Perguntas como “E amanhã? a Bolsa sobe ou desce?” não tem resposta certa. Na janela de um dia, somos passageiros da aleatoriedade. Quer queira ou não.

Do dia 2 de janeiro de 2015 até o final de abril de 2018, a bolsa brasileira teve 1321 pregões. Desses, a bolsa subiu em 712 e caiu em 609. É 54% e 46%. Quase a probabilidade de um cara ou coroa.

O acaso predomina no curto prazo

Sim, eu sei que além de olhar se a bolsa subiu ou desceu, é importante levar em consideração o quanto subiu ou quanto desceu.

Eu sei. O meu objetivo aqui não é falar que a bolsa é 100% aleatória, porque ela não é. Mas ela é muito mais do que parece.

Conclusão

O objetivo desse texto é muito mais trazer uma reflexão do que fechar em conclusões. Mas se podemos tirar algo dele é que não necessariamente um track record positivo longo significa extrema competência e nem o contrário. No mercado financeiro, a aleatoriedade tem um papel preponderante, embora tentemos esquecer/esconder isso.

Eu li dois livros que abordam muito esse assunto que eu recomendo a todo mundo que gosta de ler:

Iludidos pelo acaso

Livro escrito por Nassim Nicolas Taleb

Andar do Bêbado

Livro escrito por Leonard Mlodinow

Qual a sua opinião sobre o papel do acaso no mercado financeiro? Deixa um comentário aqui embaixo!

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