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IPO: por que uma empresa faz? O que muda?

Desde janeiro, estamos acompanhando um aumento de empresas abrindo o capital em bolsa. De acordo com a CVM, foram protocolados 56 pedidos e desses pedidos 18 empresas já realizaram seu IPO em 2020. Dentre eles estão os das empresas Petz, Grupo Soma, Estapar, Locaweb, entre outras.

IPO significa Initial Public Offering, ou, em português, Oferta Pública Inicial. É quando uma empresa estréia na bolsa de valores, fazendo com que investidores consigam comprar suas ações.  Isto é, quando, pela primeira vez, ela vende parte de suas ações na Bolsa de Valores.

Mas será que vale a pena esse tipo de evento?

O que faz com que a bolsa se torne tão atraente para as empresas?

Numa abertura de capital, a empresa costuma captar grandes somas de dinheiro.

Para você ter noção, veja o valor captado pelas empresas que fizeram IPO esse ano:

  • Estapar (empresa de estacionamentos):  R$ 345,3 milhões  
  • Aura Minerals (fabricante de ouro): R$ 790 milhões 
  • Ambipar (empresa de gestão ambiental ): R$ 1,08 bilhão  
  • Grupo Soma (varejista de moda): R$ 1,82 
  • d1000 (rede de farmácias): R$ 400,2 milhões 
  • Pague Menos (rede de farmácias): R$ 858,9 milhões 
  • Quero-Quero (varejista de material de construção): R$ 1,94 bilhão 
  • Priner (serviços de engenharia industrial): R$ 200 milhões 
  • Mitre Realty (incorporadora): R$ 1,02 bilhão 
  • Moura Dubeux (incorporadora): R$ 1,25 bilhão  
  • Lavvi (incorporadora): R$ 1,16 bilhão 
  • Locaweb (empresa de hospedagem de sites): R$ 1 bilhão
  • Boa Vista (empresa de informações de crédito): R$ 2,17 bilhões
  • Melnick Even (construtora e incorporadora): R$ 620 milhões
  • Hidrovias Brasil (empresa de logística): R$ 3,4 bilhões
  • Cury Construtora (construtora e incorporadora): R$ 977,5 milhões
  • Plano & Plano (construtora): R$ 690 milhões
  • Petz Center Comércio (petshop): R$ 3,03 bilhões

Somados foram mais de R$ 22,7 bilhões captados. Se pensarmos nas outras possibilidades que as empresas têm de captar dinheiro seria muito improvável de chegar a essas somas.

1- Empréstimo em banco: nenhum banco brasileiro tem R$ 2 bilhões para emprestar desta forma, imagina emprestar para quase 20 empresas, ou mais, no mesmo ano.

2- Investidores privados: apesar de ser uma forma comum de se levantar dinheiro para empresas, quando o valor começa a ficar muito grande, essa prática começa a ficar inviável.

Além disso, captar dinheiro com emissão de ações tem outras vantagens. 

Diferente do empréstimo de banco, por exemplo, as ações não têm vencimento e não tem necessariamente um retorno específico. Dessa forma a empresa fica livre de precisar ter os valores disponíveis, com rentabilidade pré estabelecida, numa data definida.

Claro que não adianta a empresa emitir ação e não oferecer retorno aos investidores, pois assim, eles deixarão de injetar dinheiro.

Abrir capital em bolsa pode ser oneroso para uma empresa, não é uma tarefa simples, mas comparado a um financiamento, o custo de emitir ações pode ser bem menor do que o dos financiamentos bancários ou outros tipos de operações de crédito.

Para abrir capital em bolsa, é preciso que a empresa esteja em um determinado ciclo de vida, pois será necessário um processo de profissionalização, transparência nos relatórios, que falaremos a seguir.

Veja o quadro abaixo:  

fonte: pwc

Outra vantagem de abrir capital em bolsa é dar liquidez aos empreendedores e sócios. A compra e venda de ações em bolsa é muito mais simples. 

E o que acontece com esse dinheiro que é captado?

A oferta de ações em um IPO pode ser primárias ou secundárias. 

Oferta primária:

Representam a venda de novas ações emitidas pelas companhias ao mercado. 

Nesse tipo de operação a captação vai para o caixa da empresa. Em geral, o mercado valoriza mais as ofertas primárias, pois o dinheiro levantado vai para empresa, que com isso consegue financiar os novos projetos ampliar fábricas, expandir operações ou até mesmo usar pagar dívidas.

A empresa ainda pode usar as ações negociadas em bolsa como forma de pagamento na aquisição de outras empresas, sem desembolso de caixa imediato. 

Oferta secundária:

As ofertas secundárias são uma venda de ações que já existem. 

As empresas, nesses casos, não tem aumento de capital. Os papéis normalmente pertencem a sócios que, por alguma razão, querem reduzir ou se desfazer de sua participação no negócio. 

Em vez de ir para o caixa da companhia, como acontece nas ofertas primárias, o dinheiro da operação vai para o bolso dos proprietários dos papéis vendidos.

Além disso, o IPO pode ser uma forma de viabilizar saída de sócios investidores como por exemplo um fundo de venture capital e private equity, que se tornou sócio da empresa quando estava começando. 

Geralmente os IPOs são uma parte em primária e outra em secundária, mas isso não muda nada para quem comprar. 

Uma vez no mercado, não há qualquer diferença entre as ações lançadas em ofertas primárias ou secundárias.

Imagem da empresa 

Ao querer abrir capital em bolsa, a companhia mostra que decidiu ir por um caminho importante, que demonstra interesse em expandir os negócios.

Do início do processo até o dia do IPO, leva geralmente 1 ano de planejamento. As empresas precisam aprimorar seus processos internos, aumentar transparência sobre suas operações e resultados.

Quando a empresa decide virar uma S.A. (Sociedade Anônima) e abrir capital em bolsa, com outros sócios investidores, a companhia deve satisfação para esses investidores e para a CVM, órgão regulador. 

É a partir desses dados que investidores comuns, sócios minoritários, mídia e analistas passam a acompanhar de perto o que a empresa está realizando. Ou seja, com os resultados em mãos, as pessoas decidem se investem ou não na empresa. 

Por terem que passar por um longo processo até a abertura em bolsa e depois ter que prestar contas, as empresas acabam melhorando suas práticas de governança. 

Geralmente, o mercado vê com bons olhos a abertura de capital em bolsa e as empresas abertas usualmente tem maior credibilidade entre clientes. 

O que acontece depois que uma empresa faz o IPO?

A empresa agora com mais caixa, pode e deve viabilizar projetos que visem maior lucro e consequentemente mais retorno para os sócios.

Por isso, é preciso se comunicar de forma regular com investidores, analistas e mídia financeira. O relacionamento com o mercado passa a ser constante e diário.

E essa parte é de extrema importância, já que as empresas devem administrar sua reputação com o objetivo de manter imagem positiva. 

A percepção que o público tem de uma empresa gera efeito direto sobre o valor de suas ações. A vida de uma Companhia de Capital Aberto também inclui a familiarização com exigências de elaboração de relatórios trimestrais e anuais, seu conteúdo e seus custos.

Por que uma empresa não abre capital em bolsa?

Como mostrei no texto até agora, com os IPOs as empresas podem captar altas quantias de dinheiro, melhorar a sua imagem em relação ao mercado através da adoção de boas práticas de governança corporativa, que inclusive é muito benéfica para as empresas. 

Por que então nem todas as companhias abrem o capital?

O primeiro ponto, pode ser financeiro. A abertura de capital de empresa é um processo oneroso, além de longo. Os custos são separados em 6 categorias

  1. Custos legais e institucionais: exigências legais, pagamento de taxas, anuidades, serviços e afins
  2. Custo de publicação, publicidade e marketing: prospectos com a divulgação da operação juntos aos acionistas e investidores potenciais
  3. Custo de intermediação financeira: trabalhos de coordenação, eventual garantia e distribuição
  4. Custo de advogados e auditores: contratação de advogados no Brasil e no exterior e os auditores.
  5. Custos internos da empresa: alocação de pessoal para acompanhamento do processo, montagem de estrutura interna para dar suporte à abertura
  6. Custos com consultores: contratação de consultores especializados que darão suporte à preparação da empresa (processos, controles, demonstrações financeiras, estruturas de sistemas, etc)

Outra questão é que a companhia de capital aberto passa a ter que emitir relatórios financeiros, com informações auditadas.

Após a oferta pública inicial, os proprietários da empresa perdem um pouco da liberdade sobre o seu negócio, devendo responder ao conselho de administração, bem como aos demais grupos de acionistas.

Muitas empresas, decidem por não querer emitir esses relatórios. Para uma empresa que não vá captar somas muito grandes de dinheiro, é muito mais vantajoso ir atrás de investidores privados

Além disso, o IPO pode não dar o resultado esperado. Ano passado tivemos o caso da Uber

Uber estreou na bolsa com queda de 7,6%

Em 2019, a Uber abriu seu capital em bolsa em maio, porém no primeiro dia das negociações, o valor das ações caíram.  A empresa de mobilidade urbana tinha estimado um valor de USD 45 por ação, mas o mercado negociou a USD 41,57.

Ainda no segundo dia, teve outra queda de 10,8%. A Uber foi considerada um dos piores IPOS na Bolsa de Nova York. 

Seu valuation inicial era de USD 100 bilhões, porém no dia do IPO fechou em USD 82 bi e no segundo dia de negociação, foi para USD 68 bilhões.

Uma empresa só ganha dinheiro com suas ações no momento que é feita uma oferta pública, como num IPO. Por isso as empresas se preocupam com o preço das ações.

Em 2015, o BTG viu suas ações derreterem, mas conseguiram contornar a situação. Você sabe como? Confira aqui!

O que IPO significa para os investidores?

Já deu para perceber que para uma empresa entrar na bolsa ela passa por um processo longo de mudança de paradigma, governança, mentalidade em relação a relatórios emitidos e práticas na empresa.

É uma nova forma de gestão para a companhia principalmente no que tange a transparência e controles internos. 

Para investidores que entram nesses eventos, pode ser uma oportunidade de ter ações de empresas que estão mudando sua mentalidade e prevendo expansão dos negócios.

Porém, é preciso avaliar e entender o que está por trás, como está a saúde financeira da empresa, quais projetos estão no radar, analisar os concorrentes e, principalmente, o que ela pretende fazer com o dinheiro que vai captar. 

Algumas empresas fazem a oferta pública para pagar dívidas ou para botar dinheiro no bolso dos empresários. Quando não se tem clareza dos objetivos da empresa, é melhor ficar de fora.

Além disso, verificar se faz sentido ter as ações da empresa na sua estratégia de investimento é essencial. Muitos investidores entram em IPO para o longo prazo, enquanto outros querem se beneficiar de uma valorização de curto prazo. 

Como acompanhar ação depois do IPO

Quando você entra em uma oferta primária de uma ação no IPO, a compra não é feita pelo Home Broker e, dessa forma, não aparece no CEI. Por isso, não conseguimos fazer a importação, mas nós inserimos na base do Real Valor.

Por outro lado, todas as compras no mercado secundário desse papel – isso é, aquelas feitas após o IPO (pode ser ate no mesmo dia do IPO) – serão importadas normalmente após 2-3 dias úteis

Se você entrou na oferta primária, pode inserir a compra de forma manual.

Veja:

+ Adicionar > Nova Transação > Novo Investimento > Escolher o tipo de Ativo “Ações, ETFs, FIIs” > Preencher as informações de acordo com o que foi comprado.

Em seguida é só acompanhar a rentabilidade do papel pelo app.

E você? O que acha de IPO? 

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