Semana passada eu fiz um webinar com o Rodrigo Franchini da Monte Bravo para falar sobre previdência privada. Como eu falei na ocasião, eu não entendia muito de previdência privada. Preferi não me preparar para a conversa, justamente para poder fazer as perguntas mais genuínas e viver as dúvidas que os nossos usuários e leitores tem. A conversa foi super esclarecedora e foi nela que surgiu a ideia de fazer esse texto.

O fundo de previdência

Eles funcionam de forma muito parecida como um fundo convencional.

Não sabe como um fundo funciona? Dá uma lida nesse post aqui do blog que você vai entender a fundo.

No fundo de previdência, existe um gestor que toma suas decisões de alocação de acordo com a estratégia do fundo de modo a maximizar a rentabilidade para os cotistas.

Esses fundos, não eram muito atrativos porque os gestores não podiam ser agressivos em suas estratégias. Em 2018 isso mudou. Uma nova regra deu mais liberada de para os gestores, fazendo com que surgissem fundos de previdência com rentabilidades invejáveis.

O que antes era visto como um investimento conservador para aposentar no final da vida passou a ser uma ferramenta de diversificação de carteira de longo prazo.

O investidor já diversifica sua carteira de curto/médio prazo em renda fixa e renda variável para conseguir minimizar riscos e maximizar retornos. Também é aconselhável fazer isso para a carteira de longo prazo com previdência.

O segredo está na tributação

Ao pensar em investimentos de longo prazo, um fundo de previdência é vantajoso porque tem a possibilidade de pagar menos impostos no resgate e não conta com come cotas. Fiz um estudo para mostrar graficamente o que isso significa.

Vamos supor 2 fundos com rentabilidades iguais de 10% ao ano ao longo de 30 anos. O fundo normal tem come cotas e paga 15% de IR na saída. Já o fundo de previdência não tem come cotas e paga 10% por causa da tabela regressiva.

Fundo de previdência privada ganha por causa de menos impostos

O valor líquido do fundo padrão após 30 anos é de 116.563 e o da previdência, de 156.464. Isso significa 34% a mais de dinheiro por causa de uma tributação mais eficiente.

Como nem tudo são flores, para escolher uma previdência, existem algumas complicações, como qual plano de tributação escolher e qual regime, mas eu simplifiquei ao máximo para você nas próximas linhas.

O que você precisa decidir

Aqui começa um tema que complica um pouco o entendimento e faz com que muitos investidores acabem desistindo e optando por outras opções de investimento.

Quem decide investir em previdência privada precisa fazer algumas escolhas. PGBL ou VBGL? Tabela progressiva ou regressiva?

No final das contas, o plano de previdência vai ser uma combinação da respostas para essas duas perguntas.

Duvida VBGL PGBL

PGBL

O PGBL, ou Plano Gerador de Benefício Livre permite que o investidor deduza até 12% da sua renda tributável no ano. Isso significa que o investidor consegue pagar menos impostos nos anos em que está investindo o dinheiro, e “acerta a conta” no futuro. É uma forma de conseguir ter mais dinheiro para usar no presente e apenas pagar esses impostos no futuro.

Dando um exemplo para ficar mais claro:

Digamos que você é um CLT com renda de R$100.000 no ano. A alíquota do imposto de renda é de 27,5%. Se você tem um plano PGBL, você pode investir até 12% da sua renda e ter abatimento de imposto de renda dessa quantia. Isso significa que você vai pagar imposto em cima de R$88.000, ao invés de R$100.000. Ao invés de pagar R$27.500 de imposto, você vai pagar R$24.200.

Esse plano faz sentido para quem faz a declaração de imposto de renda pelo formulário completo. Para quem faz pelo formulário simplificado, o VBGL faz mais sentido.

VGBL

No VBGL, ou Vida Gerador de Benefício Livre, o imposto é calculado em cima do valor que rendeu ao longo do tempo. Basicamente como funcionam os fundos de investimento normais.

Vamos supor que ao longo de 30 anos você investiu R$500.000 e esse montante rentabilizou até se tornar R$800.000. No VGBL, você paga imposto em relação aos R$300.000 referentes ao ganho de capital.

É importante frisar que uma vez iniciado um plano de previdência privada, ele não pode ser alterado. Se você começou como PGBL, não poderá trocar para VBGL no meio do caminho.

Tabela Regressiva

Quanto mais tempo você mantém o dinheiro aplicado, menos imposto você vai pagar no final. Esse imposto começa em 35% e cai para o mínimo de 10%, como mostra a tabela abaixo.

PrazoAlíquota
Até 2 anos35%
Acima de 2 anos a 4 anos30%
Acima de 4 anos a 6 anos25%
Acima de 6 anos a 8 anos20%
Acima de 8 anos a 10 anos15%
Acima de 10 anos10%

A tabela regressiva é ideal para investidores que pensam no longo prazo. Com ela, você consegue pagar menos impostos (10%) do que num fundo convencional (15%).

Tabela Progressiva

Na tabela progressiva, o imposto de renda vai aumentando ao longo do tempo. Faz mais sentido para quem está pensando em curto prazo, como por exemplo alguém que vai se aposentar em breve.

ValorAlíquota
Até 22.499,13
De 22.499,14 a 33.477,727,50%
De 33.477,73 a 44.476,7415%
De 44.476,75 a 55.373,5522,50%
Acima de 55.373,5527,50%

Existem situações em que a tabela progressiva é bem vinda, mas geralmente a regressiva é uma ideia melhor, porque estamos pensando em longo prazo.

Conclusão

Para longo prazo, investimento em previdência tende a ser melhor do que investimentos convencionais por causa das vantagens tributárias. A maior dificuldade, porém, é saber escolher entre PGBL e VBGL e tabela regressiva e progressiva. Uma vez decidido isso, basta escolher quais os melhores fundos, como você já faz com os fundos de investimento normais.

Real Valor e Monte Bravo – Porque investir em previdência privada em 2019