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Ray Dalio, os MCnuggets e o mercado de investimento

Se você é do time que gosta que gosta de McNuggets, preciso te contar um segredo: ele quase não entrou no cardápio do McDonalds. 

Mas para a alegria dos amantes desse famoso petisco, ele entrou no cardápio de forma fixa porque um trader de commodities, moedas e crédito que prestava consultoria a empresas ajudou a viabilizar a operação.

Esse trader se chama Ray Dalio e a partir do caso dos Mcnuggets ele iniciou os fundamentos para estratégia All Weather.

Eu vou falar sobre essa história, mas antes…

Quem é Ray Dalio?

Nascido em Nova York, Raymond Thomas Dalio conta que tinha muita dificuldade com suas notas no colégio, mas começou a investir com 12 anos de idade. 

Na época, trabalhava como  carregador de equipamentos de golfe em um clube de Long Island, ganhava US$ 5 por saco carregado e prestava atenção nas conversas que os jogadores comentavam sobre o mercado de ações. 

Decidiu então investir na Northeast Airline, porque as ações da empresa eram negociadas a menos de US$ 5. Então ele pensou: vou comprar mais, porque se subir vou fazer mais dinheiro. 

As ações estavam baixas porque a empresa estava prestes a falir, mas por sorte, outras empresas compraram ela e Ray Dalio triplicou seu dinheiro. E foi aí que se apaixonou pelo mercado de investimentos! 

Em 1971 se graduou em finanças pela Long Island University e conseguiu um trabalho de verão na New York Stock Exchange, quando conheceu e se fascinou com o mercado futuro e commodities.

Nos anos 1970, commodities estava em alta e ele recebeu muitas ofertas de emprego. 

Logo aceitou um trabalho como diretor de commodities na Dominick & Dominick LLC (hoje, chamada Dominick & Dickerman LLC) e, com seu conhecimento de mercado e sua experiência, foi aceito na prestigiosa Harvard Business School para fazer seu MBA.

No ano seguinte, foi para a Shearson Hayden Stone atuar como broker e trader de futuros e trabalhar com o lendário Sanford “Sandy” Weill, banqueiro e filantropista que viria a ser presidente do Citigroup.

Lá, trabalhou no departamento de futuros e commodities, aconselhando criadores de gado e produtores de grãos sobre gestão de risco.

Em 1975 fundou a sua empresa de gestão de investimentos, a Bridgewater Associates, que se tornou o maior fundo de hedge do mundo em 2005.

O Caso do MC Nuggets

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O McDonald’s queria adicionar os nuggets de frango ao cardápio. Na época, o mercado estava volátil e o Mc Donalds não queria se comprometer com os nuggets porque se o preço dos insumos subisse muito, ele teria prejuízo, visto que tem preços congelados.

Caso isso acontecesse, o McDonalds teria grandes prejuízos de marketing e financeiro, pois precisaria alterar o preço do cardápio a todo momento ou aceitar uma margem menor. Isso inviabilizaria a inclusão do nuggets no cardápio. 

É aí que Ray Dalio entra na história: 

O McDonalds queria congelar o preço do frango, mas os produtores não queriam porque se o preço dos insumos subissem eles iam ter prejuízo e não havia mercado futuro de frango para fazer proteção. Ou seja, não conseguiriam compensar o risco caso o preço mudasse drasticamente. 

Entretanto, Dalio tinha vasta experiência em negociação de commodities e entendeu que o frango adulto na verdade era uma combinação de duas coisas: o pintinho + ração que comiam ( soja e milho).

O pintinho em si, não custa tanto, mas os insumos podiam sofrer com a alta volatilidade. Então, Dalio mostrou aos produtores como eles poderiam travar o preço da soja e do milho através do mercado futuro. 

“Ray sugeriu combinar os dois em um futuro sintético que protegeria efetivamente a exposição do produtor às flutuações de preços”,

artigo da Bridgewater sobre a estratégia de investimento All Weather. 

Dessa forma, se os preços da soja e do milho subissem, o criador de frango ganharia a diferença no mercado financeiro. Com isso, os produtores de frango conseguiam vender o frango para a produção do McNuggets com um preço fixo e o McDonalds poderia seguir com eles no cardápio. 

O McDonalds foi um dos clientes da Bridgewater e com essa solução que Ray Dalio deu, iniciava os fundamentos para estratégia All Weather de Ray Dalio.

A Bridgewater e a estratégia All Weather

A Bridgewater Associates se tornou conhecida a partir dos anos 90 com uma estratégia chamada de paridade de risco. 

No início, a empresa oferecia assessoria para clientes corporativos e na gestão dos riscos cambiais e de taxas de juros domésticos e internacionais. 

Mais tarde a empresa começou a vender conselhos econômicos para governos e outras corporações como Nabisco e McDonalds, que acabei de citar. 

Em 1990 a empresa lançou uma carteira de fundos Hedge, em 1991 lançou o fundo Pure Alpha que funcionou bem durante as quedas de 2000 a 2003.

Em 1996 lançaram o fundo All Weather, e como o próprio nome diz, utiliza estratégia para todos os climas, isto é, performa bem em qualquer cenário. 

A XP lançou em sua plataforma o fundo em Dólar (com exposição cambial). A partir de R$ 50 mil reais, investidores profissionais poderão investir na estratégia.  

Se você tem interesse, entenda o que é o All Weather e sempre acompanhe. Lembrando que não é indicação de investimento. 

Como funciona o All Weather?

A estratégia All Weather é o resultado de uma busca por uma alocação de ativos confiável, que pode ser carregada para o longo prazo.

A Bridgewater acredita que é preciso aceitar que não sabemos o que o futuro reserva. 

Por isso, dão pesos iguais para qualquer cenário e investir para ganhar com qualquer um deles. Por isso, o risco é dividido de forma igual.

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A ideia que viabilizou os nuggets do McDonald’s também está na alma do fundo: se qualquer ativo podia ser quebrado em diferentes componentes e, a seguir, somados para formar um todo com sentido, a equipe da Bridgewater entendeu que um portfólio também poderia.

Performance do All Weather

Desde fevereiro de 2006, o portfólio All Weather tem tido uma rentabilidade de 8% ao ano, que é maior do que o S&P 500, mas menor do que um portfólio tradicional 60/40 (US Stock / Bond):

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O portfólio All Weather teve um desempenho inferior ao portfólio 60/40 na maior parte da última década. 

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Isso se dá porque quando as ações estão proporcionando altos retornos em um ambiente de alto crescimento, o portfólio All Weather terá um desempenho inferior, uma vez que tem apenas uma alocação de 30% para ações.

Entretanto, durante as grandes crises, os saques foram menores se comparar com um portfólio tradicional 60/40 (US Stock / Bond). 

Inclusive na crise de 2008, a carteira All Weather caiu menos da metade do que uma carteira 60/40 (US Stock / Bond): 

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Durante a crise do coronavírus, o All Weather também caiu menos que um portfólio tradicional. 

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Ou seja, em ambientes que não são de alto crescimento, o portfólio All Weather é muito mais atraente.

No gráfico abaixo, foram usados dados que remontam o ano de 1973, um ambiente de alta inflação e nos anos 2000, tivemos um ambiente de baixo crescimento.  

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Os dados mostrados mostram retornos ajustados pela inflação. O portfólio All Weather tem retornos reais mais confiáveis ​​e menos perdas severas do que outras carteiras tradicionais.

A cultura da Bridgewater

Uma das ideias de Dalio é que para ser um bom investidor e um bom empreendedor, é preciso apostar contra o senso comum e estar certo, o que, vamos combinar, não é uma tarefa muito simples. 

Defensor da transparência radical e do uso de algoritmos para tomada de decisões, conta que durante sua carreira profissional cometeu inúmeros erros. 

Porém quando mudou sua atitude sobre os erros, passou a entender como poderia tomar melhores decisões. 

Ao perceber que os erros eram como quebra-cabeça e a medida que fosse solucionando os quebra-cabeças, teria verdadeiras jóias, ele traduziu suas experiências em princípios. 

Quando um erro acontecia, Dalio conta que anotava para lembrá-lo sobre o que aconteceu de errado, assim era possível corrigir. Sua mentalidade passou a ser: “O que posso fazer de diferente no futuro para não cometer os mesmos erros?”

Um episódio interessante foi durante uma apresentação em um TED em que depois de apresentar parte de uma entrevista que deu em 1982 sobre uma possível queda do mercado, ele próprio afirma:

“Eu olho para esse vídeo e penso: ‘Que idiota arrogante!’ Eu era tão arrogante e estava tão errado. Quero dizer, enquanto a crise da dívida acontecia, o mercado de ações subia em vez de cair e eu perdi tanto dinheiro para mim e para meus clientes que quase tive que encerrar minha operação, tive que despedir quase todo mundo. (…) Foi uma das experiências mais dolorosas da minha vida, mas acabou sendo uma das melhores experiências da minha vida porque mudou minha atitude sobre a tomada de decisões. No lugar de pensar ‘Estou certo disso’ comecei a pensar ‘Como sei que estou certo disso?’ “

Ray Dalio

Como fazia suas anotações de forma clara, ele conseguiu transformar em algoritmos para computadores que auxiliam na tomada de decisão de maneira menos emocional. 

Um outro princípio que Dalio traz é a transparência radical, mas aqui ele não fala da transparência que algumas empresas pregam, mas não o fazem.

Pelo contrário, Dalio implementou um modelo que demanda altas doses de humildade e deixar o ego de lado a ponto de um funcionário mandar um email para ele com um nota D-. 

Entender a situação por uma outra perspectiva ou estressar o próprio ponto de vista pode ser a chave para tomada de decisão embasada. 

A partir de então, começou a observar como poderia realizar seu trabalho da melhor forma, fazendo com que os relacionamentos dentro da empresa fossem significativos e que tivesse alta transparência. 

Os princípios de Ray Dalio e a máquina da economia 

Além de uma carreira interessante, com altos e baixos como ele mesmo fala, Ray Dalio também publicou seu livro “Princípios de Ray Dalio”.

Nele compartilha princípios não convencionais que o ajudaram a criar resultados únicos na vida e nos negócios – e que qualquer pessoa ou organização pode adotar para melhor atingir seus objetivos.

Uma de suas ideias é que para ser um bom investidor e um bom empreendedor, é preciso apostar contra o senso comum e estar certo, o que, vamos combinar, não é uma tarefa muito simples. 

Além disso, publicou um vídeo que mostra conceitos importantes sobre como e a economia funciona. Através de ilustrações (muito bem feitas, diga-se de passagem) o vídeo tem 30 minutos e a linguagem é bem simples. 

Concluindo

Ray Dalio é um dos investidores e empreendedores mais bem sucedidos do mundo.

Foi eleito uma das 50 pessoas mais influentes do mercado financeiro pela Bloomberg e é autor de renomados conteúdos multidisciplinares, como o livro “Princípios” e o vídeo “Como funciona a máquina econômica”.

A Bridgewater é uma das mais tradicionais e renomadas gestoras de hedge funds no mundo. Com mais de USD 140 bilhões sob gestão, a gestora é pioneira na separação de Alfa e Beta e no conceito de paridade de risco.

Já recebeu diversos prêmios na indústria e conta com mais de 330 clientes institucionais em sua base.

Ou seja, o cara é foda! 

E o que podemos aprender com o Ray Dalio é a importância de ser humilde, mesmo sendo um gigante bilionário.. entender que pode errar e que o mais importante é aprender e melhorar com isso.

E você já conhecia a trajetória desse ícone dos investimentos? 

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