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Saas: o que é? Faz sentido investir nesse tipo de empresa?

No meio da pandemia meu computador resolveu formatar! Quem já passou por isso sabe que no fundo, tem aquela dor da perda. Você sabe que aquela foto daquela viagem pode ter ficado só na memória. 

Mas uma coisa que me salvou foi que de uns tempos para cá eu comecei a usar o Google Drive para documentos do trabalho, MBA. 

Além da segurança de ter eles na nuvem, eu tenho a possibilidade de trabalhar em qualquer computador que tenha acesso a internet, compartilhar planejamento e documentos com toda equipe do Real Valor de forma rápida e prática. 

Contei essa história para ilustrar o que é uma empresa Saas:

O Google Drive é um exemplo, pois utiliza a computação em nuvem para oferecer serviços online sem que você precise instalar os programas específicos em uma máquina da empresa. Inclusive, como estamos de home office eu consigo trabalhar em qualquer computador. 

A sigla SaaS significa Software As A Service, ou software como serviço. 

São organizações que desenvolvem e comercializam os softwares, considerados como serviços. Elas são responsáveis por manter a estrutura do sistema e disponibilizá-lo aos seus clientes. Além disso, a empresa não é mais obrigada a usar o espaço do escritório para armazenar grandes servidores que normalmente hospedariam esses aplicativos, já que isso fica a cargo da SaaS.

Como era o mundo antes do SaaS

Quem é um pouco mais velho com certeza se lembra como era o excel antigamente. Você comprava uma licença e poderia usar pelo resto da vida. Assim como quando você compra um carro, você pode usar pelo resto da vida.

Nos bens materiais, os negócios introduziram um conceito interessante com o tempo: a obsolescência programada.

Isso significa produtos que são feitos para não durarem eternamente. Dessa forma, o cliente precisará comprar outro e isso torna a receita do business mais previsível.

Sabe aquele celular que sempre quebra em uns três anos? Aquele tênis que se desfaz depois de alguns anos? Muitas vezes eles são feitos para durarem menos justamente para você comprar de novo.

Não estou aqui para entrar na ética da questão se obsolescência programada é benéfico ou não.

Mas a grande questão é que para softwares, não existia algo análogo à obsolescência programada. Quando alguém comprava o software, o acesso era pelo resto da vida.

Para a empresa isso é ruim, porque só vende uma vez para cada cliente. Para o cliente, por mai que ficasse com acesso para o resto da vida, acabava tendo que desembolsar um alto valor para usar o software.

O que mudou com o Saas

Hoje em dia, o mesmo excel é vendido de uma forma completamente diferente: o modelo de negócios é assinatura.

Ainda existe a compra como existia antes, mas o valor é proibitivamente caro.

A assinatura, por outro lado, é barata: dezenas de reais. Com ela, você tem acesso ao excel enquanto está pagando.

Cancelou a assinatura? Não tem mais acesso ao software.

Percebe como isso é levar o conceito de obsolescência programada para um nível muito mais saudável? Você paga enquanto está usando. Ao parar de pagar, para de usar.

A empresa que realmente revolucionou esse mercado Saas foi a Salesforce. Ela aprendeu como esse modelo é capaz de atingir crescimento exponencial por causa da previsibilidade de receita.

A menos que um usuário cancele a assinatura, ele continua pagando, sem precisar que a empresa faça novos esforços de vendas ou de marketing. Isso cria um componente exponencial nas empresas Saas.

E esse é o motivo pelo qual a maioria das empresas de tecnologia tem se virado para esse modelo.

Microsoft, Google, Netflix, Spotify, Adobe, etc. Todas essas assinaturas que você faz para usar algum software são o modelo SaaS.

O que torna empresas SaaS interessantes como investimento?

A projeção até 2022, segundo a Gartner, é que o segmento movimente aproximadamente USD 143 bilhões. Hoje, estima-se que 41% das mais de 13 mil startups brasileiras sejam empresas SaaS.

Uma fonte estima que a computação em nuvem tenha um CAGR (taxa de crescimento anual composta) projetado de 18% de 2018-2023.

Diferente do que acontecia antigamente, que uma empresa pagava um valor alto logo de cara, sem a completa certeza que a tecnologia irá se integrar corretamente com seus processos e força de trabalho, a forma de remuneração dessas empresas vem de pagamento recorrente. 

Na prática, a empresa que contrata uma SaaS paga todo mês ou ano, um valor para poder ter o direito de utilizar o software. 

Muitas utilizam o modelo de pagamento self service, com trial e contratação online, o que faz com que os custos com vendedores por exemplo seja menor. 

A Creative Cloud da Adobe, você pode ter acesso ao Photoshop por 30 dias. A partir do trigésimo primeiro dia, você deverá pagar uma licença para poder utilizar o software.  

O photoshop é um caso especial porque você precisa baixar o programa, mas se quiser usar em computadores diferentes também é possível, desde que não estejam ligados ao mesmo tempo. O acesso é via email e senha. Além disso, a Creative Cloud faz as atualizações de software pela nuvem. 

Outras empresas, ainda, utilizam um outro modelo muito comum no mercado: você tem acesso a uma parte free e se quiser mais recursos você paga e vira premium. Vem daí a nomenclatura freemium.

É o caso do Google Drive e o Dropbox. Nesses dois casos, você tem 2 GB, por exemplo, de espaço na nuvem de graça, se precisar de mais espaço você paga por isso. 

Outros exemplos de empresas Saas:

  • Netflix – streaming;
  • Microsoft – Office365;
  • Google – Google Drive, Analytics;
  • Adobe – PDF;
  • Zendesk;
  • Salesforce – CRM;
  • Dropbox;
  • Paypal
  • Zoom

É possível que existam ganhos significativos a serem obtidos investindo neste setor, a verdadeira questão é qual a melhor forma de investir?

Como se expor a SaaS?

Você sempre pode olhar para o grupo de SaaS e investir em empresas individuais, ou seja, fazer o famoso stock picking

Como você pôde perceber tem algumas empresas conhecidas que você pode optar ter na sua carteira como por exemplo Netflix, Google, Microsoft, Dropbox, Zoom, etc. 

Outra forma de fazer isso é apostar em ETFs setoriais. Separei 3 Etfs que investem no setor de SaaS em comparação com o S&P500 para você ter uma ideia do potencial de negócio. Lembrando que não estou fazendo nenhuma recomendação de compra ou venda. 

1. Wisdom Tree Cloud Computing Fund ( WCLD )

fonte: https://seekingalpha.com/symbol/WCLD/charting

2. EFT de computação em nuvem global X ( CLOU )

fonte: https://seekingalpha.com/symbol/CLOU/charting

3. First Trust Cloud Computing ETF ( SKYY )

fonte: https://seekingalpha.com/symbol/SKYY/charting

E na bolsa brasileira?

Uma maneira de se expor a SaaS na bolsa de valores é através dos BDRs ou em empresas de tecnologia brasileira como Totvs (TOTS3) e Linx (LINX3),. 

Exemplo de BDR: não é sugestão de compra

Conclusão

O setor de tecnologia, principalmente o de computação em nuvem, e em particular as empresas de SaaS, estão posicionadas para crescer a uma taxa elevada nos próximos 3-5 anos. 

Essa taxa de crescimento pode ter aumentado com as paralisações do governo relacionadas ao vírus Covid-19. As empresas podem ver o SaaS como planos de contingência futuros se um desligamento ocorrer novamente e isso pode forçá-las a agir mais rapidamente para adotar o SaaS do que fariam em circunstâncias normais.

E você? Acha que faz sentido investir nesse setor?

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