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Users do Real Valor provam: somos avessos a perdas

O ser humano é um ser racional, mas muitas vezes a gente acaba superestimando a racionalidade de nossa tomada de decisão. O efeito posse e a aversão a perdas está aí para mostrar isso.

A hipótese do mercado eficiente afirma que os mercados são eficientes em relação a informação. Isso significa que no mundo dos investimentos, por exemplo, todos os investidores tomam decisões racionais a todo momento.

A economia se apoiou durante muito tempo nessa hipótese. Mas existem alguns casos em que vemos claramente o homem tomando decisões baseadas em medo/feeling e não em fatos e dados.

Aversão a perdas não deveria existir

A economia comportamental

Existe um ramo da economia que vem ganhando bastante destaque nos últimos anos chamado behavioural economics, ou economia comportamental que assume que o ser humano nem sempre toma decisões racionais e se esforça em entender o que rege essa tomada de decisão.

Para se ter uma ideia, desde o inicio do século, 2 pessoas que estudam economia comportamental ganharam o nobel de economia.

O mais legal disso tudo é que um deles, o Daniel Kahneman nem economista é: ele é psicólogo.

Fiz um texto aqui no blog falando como a economia comportamental explica porque tantas pessoas ainda investem na poupança.

Mas até agora falei muito e não citei exemplos. Então vamos ao primeiro exemplo do comportamento não tão lógico do ser humano.

O efeito posse

Economistas fizeram um experimento em que deram canecas para os participantes e deram a eles a opção de trocar essas canecas por canetas de mesmo valor, digamos R$ 10.

O resultado esperado é que algumas pessoas que precisam/preferem canetas fossem trocá-las e as outras ficassem com a caneca.

O resultado observado foi diferente.

Case canecas e canetas

Os donos das canecas demandavam o pagamento de um valor que era o dobro do valor da caneca, e consequentemente da caneta. Isso significa que depois de receber a caneca, o valor que eles atribuíam a ela era o dobro do que elas de fato valiam.

E o pior: apesar deles darem esse valor à caneca, eles se recusavam a comprar canecas por esse valor.

Isso parece não fazer sentido.

Se uma pessoa acha justo vender uma caneca por R$ 20, por que ele não acha justo comprar a mesma caneca por R$ 20?

Esse comportamento é o chamado efeito posse.

Efeito posse

A gente costuma dar mais valor a algo que temos do que quando não temos.

Um exemplo clássico é de vinhos.

Case Colecionadores de vinho

Vinho e o efeito posse

Colecionadores de vinhos geralmente compram vinhos e os armazenam.

Alguns deles se valorizam com o tempo.

Esses colecionadores não costumam vender esse vinho, porque dizem que o prazer de abrir um vinho desses e tomar é muito superior ao dinheiro que eles valem.

O problema é que esses mesmos colecionadores não compram esses vinhos pelo valor de mercado.

Eles preferem comprar vinhos por um preço aceitável e esperar o valor subir.

Mas peraí. Se o prazer de tomar esses vinhos é maior do que o preço e isso é um dos motivos para eles não venderem, isso não deveria ser um motivo para eles COMPRAREM?

Pensando logicamente sim, mas o efeito posse fala que não.

Acabei me estendendo um pouco, mas o objetivo de trazer o efeito posse era comprovar que nem sempre somos racionais.

Mas no final das contas, isso foi um aquecimento para um comportamento que deriva do efeito posse: a aversão a perdas

Aversão a perdas

Nós sofremos mais com perdas do que ficamos felizes com ganhos de mesma intensidade.

Gráfico aversao a perdas

Perder R$ 100 causa mais tristeza do que ganhar R$ 100 traz de felicidade.

O Daniel Kahneman ganhou um nobel de economia em 2002 trazendo essas e outras descobertas.

Está achando muito abstrato?

Vamos a um exemplo.

Você prefere a certeza de ganhar R$ 9.000 ou 90% de chance de ganhar R$ 10.000?

Geralmente as pessoas preferem a primeira opção.

Aqui, preferimos não correr o risco. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando, não é mesmo?

Lembrando que pensando em termos estatísticos, as duas respostas se equivalem. O valor esperado é igual: R$ 9.000.

Mas agora vamos inverter o exemplo.

Você prefere a certeza de perder R$ 9.000 ou ter 90% de chance de perder R$ 10.000?

Aqui a resposta costuma ser o contrário: preferimos correr o risco de perder R$10.000.

Preferimos correr o risco de não perder nada do que ter uma perda certa.

De novo, o valor esperado é igual. Nesse caso, é de – R$9.000.

A lógica é exatamente igual. Só que num exemplo você ganha dinheiro e no outro, você perde. Em um agimos de uma forma e no outro, de outra.

Aversão a perdas não deveria existir

Você pode verificar que você mesmo é muito mais avesso a perdas em diversos momentos da sua vida. Faça esse exercício.

Esse comportamento não está errado. Na verdade acredita-se que isso vem da parte mais primitiva do nosso cérebro.

Na época em que caçávamos para sobreviver, um dia sem comida era infinitamente pior do que um dia com fartura de comida. Por isso desenvolvemos uma aversão a perdas maior do que uma aptidão a ganhar. Questão de sobrevivência.

E acabamos carregando isso para a tomada de decisões que nem sempre são questão de vida ou morte

O mais legal é que nós conseguimos observar esse comportamento na nossa base de usuários do Real Valor.

Comprovação da aversão a perdas com usuários Real Valor

A gente sempre reparou que existia uma correlação entre o número de usuários e o humor da bolsa brasileira.

Em períodos em que a bolsa está subindo, o usuário tende a usar o app mais vezes e por mais tempo.

Mas quando atravessamos períodos ruins na bolsa, o usuário acaba usando o Real Valor bem menos.

Isso acontece porque gostamos de ficar vendo nosso dinheiro subindo, mas quando ele está caindo, preferimos não ver.

Um clássico caso de aversão a perdas.

Decidi dar uma analisada como nossa base de usuários se correlaciona com o Ibovespa.

Antes de entrar nos dados, preciso só falar de um conceito que usamos aqui: DAU.

DAU signifca Daily Active Users, ou seja, usuários ativos por dia. Essa é a métrica que eu vou usar para comparar com o Ibovespa.

Primeiro, quando colocamos os dados de DAU e do Ibovespa sobrepostos, temos um pequeno problema de fundo de escala. Isso acontece porque no último ano, o Ibovespa variou mais ou menos 50%, enquanto a nossa base de usuários cresceu na ordem de 1.500% (obrigado a todos vocês por esse crescimento, e conto com vocês para continuar em 2020!).

Aversão a perdas de users

Apesar disso, dá para ver claramente que a partir de fevereiro o Ibovespa começa a cair um pouco (no gráfico) e o DAU cai vertiginosamente.

Então decidi colocar esse mesmo gráfico com 2 eixos verticais. Um indo de 0 a 150% para o Ibovespa(eixo da esquerda) e o outro indo de 0% a 2000% para simbolizar o DAU (eixo da direita).

Usuários e ibovespa

Agora conseguimos comparar um pouco melhor essa correlação.

Claro que um dos motivos do DAU estar crescendo é justamente mais gente estar baixando o app e usando.

Mas a partir de fevereiro dá para ver o que a aversão a perda faz com o número de usuários diários.

A bolsa brasileira teve perdas de cerca de 50%. Nesse mesmo período, o número de usuarios ativos diários do Real Valor caiu na ordem de 30%.

A regra é clara. O investidor que vê que a bolsa está caindo simplesmente não quer nem olhar para o Real Valor. Ele não quer ver o quanto ele está perdendo. Isso é muito claro no gráfico.

Inclusive, ao longo da última semana, tivemos uma alta no Ibovespa e o número de usuários voltou a subir.

Perceba que o app não teve nenhuma mudança drástica nos últimos dias.

Mesmo assim, em menos de um mês tivemos uma queda vertiginosa de usuários enquanto a bolsa derretia e depois quando ela subiu um pouco, voltamos a crescer o número de usuários.

Como usar a aversão a perdas a seu favor

Que o efeito psicológico de aversão a perdas existe isso é um fato.

Inclusive, trouxe dados do Real Valor para corroborar com isso.

Existem pessoas que falam que preferem não olhar para os investimentos em quedas vertiginosas para não tomar decisões de vender por impulso.

Nesses casos, faz todo o sentido não olhar para o home broker ou para o Real Valor. Mas caso você não tenha esses impulsos, é possível tirar uma grande lição disso.

Se esse não é o seu caso e você só não olha porque não gosta de ver os números vermelhos na tela, vale refletir sobre o que eu vou falar a seguir.

Quem não mede não gerencia

Peter Drucker

E não adianta só medir quando está indo tudo bem. É no momento que tudo vai mal que é mais importante medir.

É quando a bolsa está derretendo que você tem oportunidades de compra. É importante acompanhar os investimentos nesse momento justamente para ver o que faz mais sentido comprar e lucrar no longo prazo.

Conhecia a aversão a perdas? Já viu alguma demonstração dela na sua vida? Parou de usar o Real Valor durante a queda? Deixa seu comentário aqui embaixo contando.

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