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Você já pensou em investir em projetos da economia real?

Não é novidade para ninguém que a taxa de juros no Brasil está cada vez mais baixa. 

Na última reunião do COPOM, inclusive, a taxa SELIC foi cortada para 2%, a mais baixa da história. A tendência para os próximos anos é de que os juros sigam em patamares baixos. 

Se antes o investidor brasileiro conseguia altas rentabilidades investindo em ativos de baixo risco, como títulos públicos, a realidade agora é outra e a palavra de ordem é diversificação e entender novas alternativas para conseguir melhores retornos. 

O que são investimentos alternativos em economia real? 

Desde 2017, a CVM editou a instrução 588 que dispõe sobre a oferta pública de distribuição de valores mobiliários de emissão de sociedades empresárias de pequeno porte realizada com dispensa de registro por meio de plataforma eletrônica de investimento participativo.

Vamos deixar o juridiquês de lado e entender essa sopa de letrinhas. 

Essa instrução 588 é o seguinte: 

Suponhamos que temos um empresário de pequeno porte que precisa de investimento para alavancar seu negócio. 

O que ele pode fazer?

A primeira opção que vem a cabeça é pegar um empréstimo no banco. Vamos combinar que, apesar das taxas de juros baixas, empréstimos em bancos não são tão simples assim. 

O famoso spread bancário muitas vezes acaba tornando o empréstimo muito caro para o pequeno empresário. 

O que acontece? 

Suponhamos que você tem um CDB no banco X que te rende 2% ao ano. Você está emprestando o dinheiro ao banco e ele está remunerando você por isso com uma taxa de 2% aa.

Do outro lado, temos o CNPJ da empresa do Julio que precisa do dinheiro emprestado, só que o banco vai cobrar da empresa do Julio 5%-6% e assim, quando o banco te devolver os 2% de rentabilidade do dinheiro que você emprestou, o banco ganha entre 3%-4%. Essa diferença é o spread bancário.

Mas e aí? Quais outras soluções?

Vou usar o Julio de novo, que tem uma pequena empresa. 

Se ele for ao mercado de capitais tradicionais, ele não vai conseguir fazer um IPO ou emitir uma debênture, por exemplo, porque é caro para fazer essas emissões e também ficam restritas a grandes operações. 

Quando se fala de captar R$1 milhão-R$2 milhões é uma quantia baixa para os grandes players. 

Por isso, a CVM editou o 588 em 2017 para que as corretoras de investimentos coletivos ajudassem essas empresas de pequeno porte a captar investimentos, oferecendo aos investidores alternativas da economia real. 

O que a economia real tem a ver com isso? 

Geralmente, as empresas de investimento coletivo fazem captação para empresas ou projetos de pequenos CNPJs e que estão com lastro na economia real, ou seja, você pode ter lastro em energia, gado, imóveis, etc. 

E como funciona esse investimento? 

Você enquanto investidor, pode entrar como sócio do projeto ou emitir um título de dívida. Analogamente falando, é como se fossem mini ipos e mini debêntures. 

Gosto de exemplos para ficar mais claro.

Confinamento de Gado por emissão de dívida 

Um empresário do ramo pecuário quer adquirir um espaço para colocar mais animais e precisa de capital. 

Para captar  R$ 1 milhão para operação de gado ele entra em contato com a corretora alternativa. A corretora por sua vez, emite um título de contrato de investimento coletivo e disponibiliza o investimento para investidores comuns.

Dessa forma, a corretora oferece para o investidor comum acesso a produtos que já são oferecidos para quem tem grandes fortunas. 

Quando a captação de recursos é fechado, o empresário, nesse caso, faz o confinamento do gado, faz os ciclos combinados em contrato e devolve a rentabilidade.  

É como uma renda fixa, só que o lastro é em gado. 

Quais as garantias?

É importante você verificar se a corretora em questão está registrada junto à CVM que é o órgão responsável por fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil.

Quando a corretora alternativa emite o título, fica tudo registrado em cartório.

E caso aconteça alguma coisa com o gado, o investidor tem direito a um lote de gado por exemplo. 

Assim, o investidor entrou em um projeto da economia real, com lastro na pecuária de corte e com instrumento financeiro registrado em cartório.

Investimento por equity

Outra forma de o investidor comum entrar em um investimento em economia real é através de equity, ou seja, ser sócio do empreendimento e ter uma renda com distribuição de lucro.

Por exemplo, uma empresa tem um terreno e quer edificar um imóvel para fazer um coliving. O processo é o mesmo do caso anterior, a diferença é que nesse caso o investidor vira sócio do negócio, será proprietário de um prédio que ele poderá escolher e é bonificado com distribuição de proventos vindos do pagamento do aluguel e rentabilidade da cota adquirida.  

Qual a diferença para Fundos Imobiliários? 

Não tem marcação a mercado e cotação dia a dia. O empreendimento poderá ser vendido, sendo o fundo imobiliário uma saída. Além disso, nos FIIs o gestor faz a escolha dos ativos que vai investir e nesse caso, quem escolhe é você, enquanto investidor. 

Esses foram dois exemplos, mas é possível investir em fazenda de eucalipto, energia solar, entre outros. Assim, além de empresas, pelas corretoras alternativas o investidor pode investir em projetos. 

Por não estarem listados nos mercados tradicionais, alguns investimentos não fica correlacionados com o mercado financeiro. Por exemplo, quem investiu em um projeto agroflorestal de floresta de eucalipto, considera o crescimento biológico como principal fator e este não é afetado por ciclos econômicos e políticos.

E você? Já tem investimentos alternativos na sua carteira? Comenta aqui sua experiência. 

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