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O que é Spread?

Spread é, no conceito financeiro da palavra, a diferença entre os valores cobrados pela mesma pessoa (seja ela física ou jurídica) quando ela oferta (vende) um produto e os valores que ela pede ao demandar (comprar) o mesmo produto. 

Vamos simplificar: No mercado financeiro, é mais comum falarmos de spread bancário ou spread de taxas. Nesse caso, o spread é a diferença entre as taxas de juros cobradas pelos participantes do mercado para emprestar dinheiro e para tomar dinheiro emprestado.

Como ainda está complicado, vou trazer um exemplo: digamos que quando um banco toma dinheiro emprestado (sim, bancos também pegam dinheiro emprestado) ele paga, por exemplo, 5% de juros. E esse mesmo banco, ao emprestar dinheiro a seus clientes, cobra 7% de juros. O spread bancário nessa situação é de 2 pontos percentuais, pois o banco toma empréstimos 5% e faz empréstimos a 7%.

7% – 5% = 2p.p.

O Spread é ruim?

Essa diferença de taxas precisa existir. Muitas vezes, o spread é visto como um vilão, porém é necessário entender que é assim que bancos rentabilizam muitas de suas atividades. Se não existisse o spread, atividade de empréstimo não seria rentável e ninguém a praticaria (pois não existe almoço grátis).

Então, o spread é fundamental para o mercado. Ruim ou bom, ele é necessário.

“Já ouvi falar que o spread do Brasil é um dos maiores do mundo. Por quê?”

O Brasil é largamente conhecido como um dos países que têm os maiores spreads bancários do mundo. E por um lado, o tamanho do spread pode, sim, ser considerado ruim. 

É ele que garante grandes margens de lucro para os bancos e isso só é possível devido a uma baixa competitividade no mercado nacional. Isso é, por não haver muitos players competindo com as grandes instituições financeiras do Brasil, eles podem cobrar mais caro por seus serviços.

Mas por outro lado, há outros fatores que também influenciam o valor do spread: a taxa de inadimplência, por exemplo. Pensa comigo: se o banco empresta dinheiro pra 2 pessoas e 1 delas acaba não pagando sua dívida (50% de inadimplência), os juros cobrados com 1 empréstimo têm que ser suficientes para cobrir o outro (se não, o banco vai ter prejuízo nas operações de crédito e essa atividade vai ser interrompida).

Então, existem outros fatores (e não só o desejo por maiores margens de lucro) que fazem o spread bancário aumentar.

Vamos dar uma olhada na prática se o Brasil realmente tem Spreads tão altos como se fala por aí:

No gráfico abaixo, a gente pode ver a comparação do Brasil com outros países do mundo, ao longo das últimas décadas (fonte: IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial):

Spread bancário no Brasil e no mundo

Em 2015, éramos o 3º país do mundo no ranking de maiores spreads bancários (fonte: Banco mundial):

Maiores spreads bancários no mundo em 2015

Como o Spread afeta minha vida?

Caso 1:

Ao investir em renda fixa (um CDB, um LCI, etc.), por exemplo, entender sobre Spread pode te ajudar a fazer melhores escolhas, pois o spread está presente em praticamente todos os produtos que estão na prateleira da sua corretora. 

Ao ir na sua corretora e investir em um CDB, você estará sendo remunerado por uma taxa de juros que, muito provavelmente, não é a taxa original de remuneração desse ativo. 

Exemplificando: digamos que o Banco X (emissor do CDB) está ofertando um CDB a 120% CDI. 

Ao ver na prateleira da sua corretora, esse mesmo CDB estará sendo oferecido a menos de 120% CDI, devido ao spread. Isso é, a corretora toma o CDB a 120% mas o oferta a, digamos, 115% CDI (5pp de spread).

Então, é importante você saber disso pra saber que, sim, há uma diferença entre as taxas do mercado, então, é sempre importante você comparar os valores que estão sendo praticados por diferentes instituições pra tomar a melhor decisão.

Caso 2:

Ao buscar financiamento para uma casa (ou carro, etc.) você vai ver que a taxa de juros que lhe será cobrada é bastante superior à taxa de juros que você recebe ao emprestar dinheiro pro banco (em um CDB, por exemplo). 

Falando na prática: Em meados de 2020, as taxas de juros para financiamento de imóveis, no Brasil, estava em ~7% nos grandes bancos.  Enquanto isso, a remuneração de 100% CDI estava em 2%. Isso é, 5 pontos percentuais de diferença, ou, em outras palavras: o banco ganha quase 4 vezes mais que você ao emprestar capital.

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