O que são títulos privados e como eles podem turbinar seu patrimônio com a volta da Renda Fixa

Toda vez que há uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, esta é a pauta que domina o noticiário econômico. Para controlar a inflação, como essa que estamos vivendo agora, o comitê promove uma alta da Selic (taxa de juros básica da economia), o que significa automaticamente alta nos juros. E assim, a renda fixa volta a atrair os olhos (e os bolsos) dos investidores.

Na verdade, a renda fixa nunca saiu de cena. Para ter uma carteira de investimentos bem-sucedida, é preciso diversificar ‒ isso inclui ter ações, cripto, fundos imobiliários e também uma certa parcela de títulos públicos e privados. Ter ativos diferentes, com prazos e retornos variados, conforme a sua necessidade de liquidez, é essencial para quem quer se dar bem no mundo dos investimentos. 

É também na renda fixa onde deve estar sua reserva de emergência, já que a disponibilidade tem que ser imediata e você não pode perder esse patrimônio. Imagine colocar sua reserva de emergência em ações e ver ela ser prejudicada com a queda de um papel. 

Mas se engana quem pensa que a renda fixa se resume ao Tesouro Direto ou à Poupança. Nos títulos privados, os investidores podem encontrar boas oportunidades para proteger seu patrimônio e ainda ter lucro. Explicamos mais adiante quais são esses títulos e como funcionam suas remunerações. 

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O que são títulos privados?

Assim como existem os títulos públicos, que o próprio governo emite como forma de financiar suas dívidas tendo a própria população como credora, existem também os títulos privados, que as empresas e instituições financeiras emitem para captar recursos

De forma semelhante ao que ocorre com o Tesouro Direto, os investidores pessoa física podem emprestar dinheiro para essas instituições em troca de uma remuneração (mais abaixo, você confere como funciona esta remuneração e quais são as taxas mais praticadas no mercado). 

Há uma diversidade muito grande de títulos privados, incluindo aqueles com:

Por isso, assim como ocorrem com ações, também é preciso avaliar com cautela quais títulos privados se adequam ao seu perfil de investidor e ao seu planejamento financeiro. 

Quais são os títulos privados da renda fixa brasileira?

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Os CDBs são títulos emitidos por bancos, que utilizam os recursos obtidos para capital de giro ou para emprestar dinheiro aos clientes. Há uma infinidade de CDBs sendo ofertados todos os dias nas prateleiras das corretoras e nos próprios bancos. 

A liquidez deste tipo de investimento varia conforme a oferta: em alguns casos, é possível resgatar o dinheiro no mesmo dia, enquanto em outros casos, é preciso esperar até o vencimento final do título. Os CDBs contam com garantia do FGC e têm cobrança de IOF e de imposto de renda. 

LCI (Letra de Crédito Imobiliário)

Ao investir em uma LCI, você está indiretamente investindo no mercado imobiliário. Isto porque você está emprestando dinheiro ao banco para que ele aplique no setor imobiliário, por exemplo, financiando casas de pessoas físicas. 

A LCI é um investimento isento de imposto de renda e sua rentabilidade varia conforme a oferta do banco. Sua liquidez costuma ser baixa, ou seja, não é tão fácil resgatar o investimento antes do prazo. Além disso, é um investimento relativamente seguro, que conta com a garantia do FGC.

LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

De forma análoga à LCI, a LCA é um investimento indireto no setor do agronegócio. Na prática, não muda muita coisa para o investidor, que pode decidir entre esses dois títulos privados a depender de qual está oferecendo a melhor rentabilidade no momento. A não ser, é claro, que haja uma preferência específica pelo setor imobiliário ou pelo agronegócio. 

A LCA também é isenta de IR e tem garantia do FGC. 

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CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)

Ao contrário das LCIs e LCAs, que são emitidas por bancos, os CRIs e CRAs são emitidos por empresas securitizadoras, que, de forma resumida, transformam a dívida de uma determinada companhia em um título privado.

Um CRI é, portanto, um título de dívida referente ao setor imobiliário. O investidor torna-se “credor” deste empréstimo e recebe os juros ao vencimento do título. Uma empresa que constrói galpões pode emitir CRIs para financiar novos equipamentos ou uma nova obra, por exemplo. 

Os CRIs são isentos de IR e IOF, mas não contam com a garantia do FGC. 

CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)

Da mesma forma, os CRAs são títulos de dívida referentes ao setor do agronegócio. Para expandirem suas produções, industrializarem seus produtos ou comprarem novos insumos e máquinas para o agronegócio, as empresas tomam dívidas e emitem os CRAs.  

Este tipo de título é isento de IR e IOF e não tem garantia do FGC.

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Debêntures

Debêntures são títulos de crédito privado emitidos pelas próprias empresas para captar recursos para novos projetos, expansões e outras iniciativas que impulsionam os negócios.

Para as companhias, emitir debêntures costuma ser mais vantajoso (e mais barato) do que tomar empréstimo com alguma instituição financeira. Para os investidores, porém, há mais riscos, uma vez que a empresa pode dar calotes, se não tiver boa saúde financeira. E é bom lembrar: debêntures não têm garantia do FGC. 

Por serem investimentos mais arrojados na renda fixa, eles podem oferecer rentabilidades melhores que LCIs, LCAs e CDBs.

LC (Letra de câmbio)

Apesar do nome, as LCs não são investimentos relacionados ao dólar ou a qualquer outra moeda. Na verdade, são títulos emitidos por financeiras (corretoras, DTVMs, sociedades de crédito), da mesma forma que os CDBs são emitidos por bancos

As financeiras são instituições menores que os bancos e, portanto, mais sujeitas à instabilidade, portanto as LCs costumam ser mais investimentos mais arriscados que os CDBs. No entanto, elas também são cobertas pelo FGC. 

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Como funciona a remuneração dos títulos privados?

Cada título privado tem características diferentes e sua rentabilidade pode variar conforme a oferta nos bancos e corretoras, assim como sua liquidez. Para que você saiba melhor como analisar a remuneração oferecida por eles, respondemos as principais perguntas sobre o tema. 

O que são títulos prefixados e pós-fixados?

Os títulos prefixados são aqueles que já são ofertados com uma taxa pré-estabelecida, ou seja, você sabe quanto seu investimento vai render ao final do prazo. Exemplo: um CDB prefixado a 12%. 

Este tipo de investimento pode ser atrativo pela previsibilidade, afinal, é comum o investidor querer ter uma noção do retorno de seus aportes. No entanto, ele pode ser traiçoeiro em tempos de alta da inflação. Se a inflação anual ficar em 10%, por exemplo, seu investimento terá rendido apenas 2% em ganhos reais. 

Por esse motivo, os pós-fixados podem ser opções mais interessantes. Eles variam conforme uma taxa variável, como a Selic ou o IPCA. 

Títulos atrelados à Selic e ao CDI

A Taxa Selic é a taxa de juros básica da economia brasileira e é definida pelo Copom. Ela é usada como base para financiamentos e empréstimos. O CDI, Certificado de Depósito Interbancário, se refere à taxa que os bancos usam para fazer empréstimos entre si, que costuma estar bem próxima à Selic. 

Sendo assim, os títulos atrelados à Selic e ao CDI se beneficiam em momentos de alta dos juros. Alguns títulos podem pagar o CDI e mais alguma taxa pré-estabelecida, o que pode ser bem vantajoso. 

Títulos atrelados ao IPCA

O IPCA é o principal índice de inflação do Brasil. Os títulos IPCA+ são aqueles que pagam o valor do índice mais alguma taxa pré-estabelecida. Sendo assim, este tipo de investimento protege seu patrimônio da inflação e ainda entrega um “prêmio”. 

Em momentos como o que estamos vivendo de escalada inflacionária, este tipo de título deve ser observado com atenção. Há no mercado títulos desta natureza que chegam a entregar quase 7% de ganho real sobre a inflação. 

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Acompanhe seu investimentos de renda fixa no Real Valor

Você pode acompanhar todos os seus investimentos em renda fixa (incluindo títulos privados e do Tesouro Direto) no aplicativo do Real Valor, um consolidador de investimentos intuitivo e moderno. Lá, você vê o desempenho da sua carteira, incluindo também ações e fundos. 

No aplicativo do Real Valor, você pode:

  • Consolidar todos os investimentos em um único lugar;
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  • Comparar a carteira com os principais benchmarks do mercado de investimentos;
  • Acompanhar dividendos, grupamentos, desdobramentos (splits) entre outros eventos corporativos;
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O app está disponível gratuitamente em todas as lojas de aplicativos. 

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